CÚPULA INTERNACIONAL

Lula participa de foto do G7 ampliado sem conversar com Trump

Presidente brasileiro foi recebido por Emmanuel Macron e participou de reunião fechada sobre solidariedade internacional

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 12:55
Cúpula do G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira, 16, da foto de família do chamado G7 ampliado, que reúne também líderes de países convidados para a cúpula. Depois do registro oficial, os participantes seguiram para uma reunião a portas fechadas sobre solidariedade internacional, na qual o brasileiro fará um discurso.

Lula foi o primeiro líder convidado a ser cumprimentado pelo anfitrião, Emmanuel Macron, durante a cerimônia de boas-vindas. Também foram convidados o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, e o presidente do Quênia, William Ruto.

Na foto, o presidente brasileiro posou à esquerda de Macron, no mesmo lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Lula e Donald Trump não conversaram nos minutos entre a recepção dos líderes e a foto, nem depois do registro.

Em seguida, os líderes participaram da reunião ampliada do G7, com o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”. As discussões são fechadas para jornalistas.

Na mesa de reunião, Lula ficou praticamente de frente para Donald Trump. Também participam do encontro representantes do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento.

Havia especulação sobre se a decisão de Lula de comparecer à cúpula, tomada de última hora, teria relação com uma possível nova reunião com Trump, depois que os Estados Unidos recomendaram impor novas tarifas ao Brasil. O governo brasileiro, porém, nega que essa tenha sido a intenção.

Em 2 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas desleais na relação bilateral, além de mais 12,5% por não proibir e coibir efetivamente a importação de produtos feitos com regime de trabalho forçado. Logo após o anúncio, Lula confirmou sua ida a Évian-les-Bains, dizendo: “agora eu vou”.

Também foi cogitada uma movimentação do Itamaraty para tentar promover um novo “encontro de corredor” entre os presidentes, nos moldes do que ocorreu na Assembleia-Geral da ONU no ano passado. Fontes do governo brasileiro, no entanto, afirmaram que uma conversa de corredor seria insuficiente para tratar de um tema considerado complexo, como o tarifaço.

A foto de família e a reunião ampliada eram as primeiras oportunidades para que Lula e Trump interagissem. Outro momento possível será no jantar com os líderes e convidados, previsto para as 20h30 no horário local, 15h30 em Brasília.

Lula se reúne com europeus

Mais tarde, Lula terá reuniões com Ursula von der Leyen e António Costa. O banimento da carne bovina brasileira dos países do bloco europeu deve ser o assunto de maior atenção, embora integrantes do governo ressaltem que outros temas também estarão na agenda.

Em 12 de maio, onze dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio da UE-Mercosul, o bloco europeu anunciou a decisão de excluir completamente de seu mercado os produtos brasileiros de origem animal. A medida entrará em vigor em 3 de setembro e foi aprovada por unanimidade pelos 27 países.

Na segunda-feira, durante uma coletiva de imprensa, António Costa evitou responder diretamente aos questionamentos sobre a carne. “Isso é um assunto que tem que colocar à Comissão, é um assunto que a Comissão está a tratar”, afirmou.

“Como sabe, nós com o Brasil fizemos colado no Mercosul um grande acordo este ano, que está agora a ser retribuído, que entrou já em pleno vigor. Obviamente, as normas sanitárias têm que ser cumpridas, mas a Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil”, completou Costa.

Na semana passada, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, afirmou: “Nós ficamos um pouco surpresos pela maneira como foi”.

Segundo o texto original, Von der Leyen tem pouco poder para mudar rapidamente a situação, mas atua como canal para levar as manifestações brasileiras aos países do bloco.

Nesta segunda-feira, Lula se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, em Genebra, e com o anfitrião do G7, Emmanuel Macron. Em Genebra, os presidentes trataram do comércio bilateral e se comprometeram a trabalhar pela diversificação da pauta de exportações entre os dois países, informou o Planalto.

Um dos temas discutidos foi o acordo Mercosul-EFTA, que envolve, além da Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein. Para o Planalto, o acordo representa uma oportunidade de ampliar o comércio em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo.

A cúpula de líderes ocorre no mesmo hotel, com circulação limitada de jornalistas. A cidade de Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses, está praticamente sitiada pelo esquema de segurança.