MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recua com petróleo em baixa e atenção a Copom e Fed

Índice chegou a cair 0,76% nesta terça-feira, pressionado por commodities e pela cautela antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 11:42
Ibovespa Depositphotos

O Ibovespa iniciou terça-feira, 16, praticamente estável, aos 170.415,52 pontos, mesmo patamar da máxima do dia, mas passou a renovar mínimas nos negócios primeiros. O índice chegou a cair 0,76%, para 169.121,31 pontos.

A queda reflete, em parte, o recuo de cerca de 3% nas cotações do petróleo e a postura cautelosa dos investidores antes das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, previstas para amanhã.

Também acompanhamos no radar do mercado as pesquisas eleitorais e o enquadramento das vendas varejistas brasileiras em abril. A baixa do petróleo ainda repercute no acordo de paz provisório entre os Estados Unidos e o Irã, cujo memorando poderá ser assinado na sexta-feira.

"O petróleo desaba desde ontem, após o anúncio do cessar-fogo. Partindo do princípio que vai vingar, pode continuar caindo e contaminado as ações do setor, como as da Petrobras, puxando o Ibovespa", afirma João Oliveira, chefe da mesa de operações do Banco Moneycorp.

A mineração de ferro também caiu, com baixas de 0,85% em Dalian e de 0,62% em Cingapura, movimento que influencia o setor de metais na B3, como os da Vale.

“A alta de algumas metálicas dá um pouco de equilíbrio”, diz Oliveira, ao acrescentar que os mercados seguem com grande expectativa pela Superquarta.

A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Em relação ao Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), a projeção é de manutenção das taxas entre 3,50% e 3,75% ao ano. Com isso, os investidores concentram as atenções nos comunicados das duas autoridades monetárias.

Em meio ao cessar-fogo entre EUA e Irã e aos dados da economia brasileira divulgados hoje, a maior parte do mercado mantém a estimativa de redução da Selic. Entre os indicadores, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,30% em junho, após alta de 0,89% em maio, resultado próximo ao piso das estimativas do Projeções Broadcast, de -0,35%.

As vendas do comércio varejista recuaram 1,5% em abril ante março. No varejo ampliado, que inclui material de construção, veículos e atacado de suprimentos, as vendas caíram 0,7% no mesmo período. Os resultados chegaram ao piso das expectativas apuradas pelas Projeções Broadcast, de -1,6% e -0,6%, respectivamente. Na comparação interanual, o varejo restrito subiu 1% e o avançou 1,4%.

“Os dados de hoje são consistentes com um início de segundo trimestre mais fraco para o varejo, em linha com nossos dados proprietários do IDAT”, afirmam, em relatório, Natalia Cotarelli e Marina Garrido, do Itaú Unibanco.

No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo nuclear negociado com o Irã é contínuo e deverá avançar para uma “segunda fase”, que, segundo ele, será mais fácil de implementar.

Na segunda-feira, o Ibovespa fechou o pregão em queda de 0,42%, para 170.415,13 pontos.

Às 11h23 desta terça-feira, o Índice Bovespa caiu 0,47%, para 169.612,17 pontos. No mesmo horário, a Vale subiu 0,46%, enquanto a Petrobras recuava entre 0,95% nas ações preferenciais e 1,01% nas ações ordinárias.