ACIDENTE EM LIMEIRA

Testemunhas apontam falhas em salto de rope jump que matou jovem

Atividade na Ponte do Esqueleto era organizada por WhatsApp e, segundo relato, priorizava vídeos para redes sociais

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 11:34
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Testemunhas afirmam que os responsáveis ​​pelo salto de corda realizado na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, organizaram uma atividade radical de forma amadora. A comunicação com os participantes ocorreu em um grupo de WhatsApp chamado “entre cordas”, onde foram enviadas orientações de segurança e também dicas sobre como gravar vídeos com maior potencial de viralização nas redes sociais.

No sábado em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada pela equipe sem as cordas de proteção, cerca de 80 turistas participaram da atividade. Entre eles estava o coordenador pedagógico Rafael Goulart, que se encontrava no local no momento da queda.

De acordo com Goulart, os participantes só descobriram depois da tragédia que o grupo responsável pelos saltos não tinha registro formal. "Essa empresa, na verdade, não existe. Eles não tinham registro, não tinham CNPJ", afirmou. A reportagem tenta contato com os advogados dos responsáveis.

"A gente acabou caindo numa operação que tinha 80 mil seguidores e vídeos com milhões de visualizações. Depois que a desgraça aconteceu, a gente começa a olhar para trás e perceber o quanto eles eram desorganizados", disse.

Segundo o coordenador pedagógico, a equipe geralmente destacou conteúdos que viralizaram nas redes sociais e explicou aos participantes quais elementos poderiam aumentar o alcance das publicações.

Em um dos áudios enviados ao grupo, um membro da organização afirma que muitas pessoas procuravam a atividade por causa da repercussão dos vídeos.

"Tem gente que procura a gente por causa da viralização. Porque quer viralizar o vídeo", diz a gravação. A mesma pessoa cita o caso de um participante identificado como Vitória, cujo salto teria alcançado mais de 15 milhões de visualizações.

“A Vitória bate aí 15 milhões de visualizações, saiu em várias páginas (...), porque tem muita verdade e humor no vídeo dela”, afirma o áudio. Segundo a participação, reações espontâneas e situações engraçadas aumentaram as chances de engajamento. “O humor viraliza muito”, acrescenta.

Orientações de segurança

Goulart relatou que a equipe também repassava instruções de segurança aos participantes. Segundo ele, no entanto, as orientações estão dando a impressão de que possíveis acidentes podem resultar de erros cometidos pelos próprios praticantes.

"Eles estavam passando informações de segurança, mas sempre jogando a responsabilidade para as pessoas. Falavam que não podiam dar pirueta, não podiam correr, que tudo precisava ser avisado ao instrutor. Então a impressão era de que qualquer acidente aconteceria porque o participante fez alguma coisa errada", afirmou. “E o que a gente viu foi justamente o contrário: não colocaram a corda”, acrescentou.

Maria Eduarda morreu depois de ser lançada da ponte sem estar presa ao equipamento de segurança. Conforme a Polícia Civil, ela deveria estar conectada a duas cordas, mas nenhuma delas foi instalada.

GoPro desapareceu após a queda

Outro ponto relatado por Goulart é o desaparecimento de uma câmera GoPro que estaria com a vítima no momento do acidente. Segundo ele, pessoas que estavam no local alegaram ter visto membros da equipe retirarem o equipamento do corpo da jovem após a queda.

“Se até aquele momento a câmera estava com ela, por que a câmera simplesmente sumiu e ninguém sabia mais dela?”, questionou. A Polícia Civil investiga o paradeiro do equipamento. A hipótese levantada pela testemunha é que a câmera pode ter sido levada por pessoas que saíram da área logo após o acidente.

O coordenador pedagógico defende que o caso sirva para contribuir a orientação da atividade no País. Maria Eduarda morreu no sábado, 13, após ser lançada da Ponte do Esqueleto sem estar presa às cordas de segurança. Três funcionários responsáveis ​​pela operação permaneceram presos. O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte mesmo sem a intenção direta de matar.