POLÍCIA

Justiça mantém afastamento do delegado-geral de Alagoas por mais 60 dias em investigação sobre fraude em concursos

Decisão da Justiça Federal da Paraíba também prorroga afastamento de agente da Polícia Civil preso durante as apurações da chamada “Máfia dos Concursos”

Por Redação Publicado em 16/06/2026 às 09:52
Delegado Gustavo Xavier Arquivo

A Justiça Federal da Paraíba decidiu manter por mais 60 dias o afastamento do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, investigado por suposta participação em um esquema de fraudes em concursos públicos que teria atuado em diversos estados do país.

A medida foi determinada pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, após pedido apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o entendimento da Justiça, a permanência do delegado no cargo poderia representar risco às investigações ainda em andamento.

Na mesma decisão, o magistrado também prorrogou por mais 60 dias o afastamento do agente da Polícia Civil de Alagoas Eudson Oliveira de Matos. Ele está preso na Central de Flagrantes da corporação e é um dos alvos da operação que apura o suposto esquema criminoso. As medidas adotadas têm caráter cautelar e não configuram condenação dos investigados.

Entre os argumentos apresentados para a manutenção das restrições está a apreensão de um aparelho celular na cela onde Eudson Oliveira se encontra detido. Segundo a decisão judicial, o fato levanta a possibilidade de continuidade das condutas investigadas.

O Ministério Público Federal também destacou a realização do concurso público para os cargos de agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas. Para o órgão, a permanência dos servidores em suas funções poderia comprometer a condução e a transparência do certame.

Gustavo Xavier foi alvo de mandado de busca e apreensão durante uma operação da Polícia Federal deflagrada em março deste ano. A ação investiga a atuação de um grupo criminoso conhecido como “Máfia dos Concursos”, suspeito de utilizar diferentes mecanismos para fraudar processos seletivos em várias unidades da federação.

As investigações reúnem elementos obtidos por meio de colaborações premiadas e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Até a última atualização do caso, a defesa de Gustavo Xavier e a Polícia Civil de Alagoas não haviam se pronunciado sobre a decisão. Já a defesa de Eudson Oliveira não foi localizada pela reportagem.