FGV aponta impacto de conflito no Irã sobre exportações extrativas do Brasil
Icomex indica queda no volume exportado e alta nos preços; instituto também cita incertezas sobre possível nova taxação dos EUA
A guerra dos Estados Unidos e Israel no Irã afetou as exportações brasileiras das indústrias extrativas, com redução no volume embarcado e elevação dos preços. A avaliação consta no relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta terça-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
“Os efeitos da guerra entre os Estados Unidos e o Irã aparecem nos índices da indústria extrativa, com queda no volume e aumento nos preços. O mesmo comportamento se repete para o agregado total das exportações e importações”, destacou a FGV no relatório.
O instituto também afirmou que “o anúncio da trégua da guerra no Irã, com a abertura do Estreito de Ormuz, é bem-vindo e alivia os temores da continuação de uma escalada de preços de mercadorias, seguros e fretes”.
A FGV mencionou ainda as incertezas provocadas pelo anúncio de uma possível nova taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos, que pode chegar a 37,5%.
“As incertezas sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos nunca foram totalmente eliminadas desde o início do governo Trump”, acrescentou o relatório. A fundação lembrou que grande parte dos setores conseguiu compensar as restrições impostas pelo primeiro tarifaço ao direcionar vendas para outros mercados.
“No entanto, os Estados Unidos são o principal importador mundial e, para o Brasil, estão entre os dois principais compradores de manufaturas. A Ásia pouco compensa as perdas das vendas de manufaturas”, completou a FGV.
Apesar das incertezas no cenário global, a fundação informou que as projeções indicam superávit em torno de US$ 75 bilhões para a balança comercial brasileira em 2026, acima dos US$ 68,3 bilhões registrados em 2025.
A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 7,8 bilhões em maio de 2026. No acumulado do ano, o saldo positivo chegou a US$ 32,7 bilhões, acima dos US$ 8,4 bilhões observados no mesmo período de 2025.
“Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial a China, com ganho de US$ 7,1 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 2,1 bilhões. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,5 bilhão, e, na Argentina, o superávit reduziu-se de US$ 2,4 bilhões para US$ 910 milhões”, enumerou a FGV.