G7 reforça segurança nos Alpes e tem Ucrânia como tema central
Encontro em Évian-les-Bains reúne líderes das principais economias, convidados como Lula e registra protestos em Genebra
Entre o Lago Léman, na fronteira entre Suíça e França, e estações de esqui dos Alpes Franceses, líderes das sete maiores economias do mundo participam da cúpula do G7 em Évian-les-Bains. A cidade está sob forte esquema de segurança, com reflexos também em municípios próximos e em Genebra, na Suíça, onde houve restrições no trânsito e protestos.
A reunião começou nesta segunda-feira, 15, e segue até quarta-feira, 17, com a presença de líderes da Alemanha, do Reino Unido, do Canadá, da França, da Itália, do Japão e dos Estados Unidos, além de representantes convidados de outros países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado em fevereiro pela presidência francesa, mas confirmou presença apenas no início deste mês. Ele chegou à cidade turística na segunda-feira e já se reuniu com Emmanuel Macron e com o presidente da Suíça, Guy Parmelin.
Nesta terça-feira (16), Lula tem duas reuniões bilaterais previstas: uma com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e outra com os líderes da União Europeia, Ursula Von der Leyen e António Costa. Há expectativa de que seja tratado o banimento da carne brasileira dos países do bloco. Um encontro com o americano Donald Trump já foi considerado difícil pelo governo.
O esquema montado para a cúpula tem causado incômodo a moradores da região, que reclamam das limitações de deslocamento. Presidentes e premiês estão hospedados no Hotel Royal, onde se concentram os eventos do encontro. No entorno, o acesso de jornalistas é restrito, limitado principalmente às imprensas oficiais dos países membros e convidados.
Évian-les-Bains, Publier, Le Gets e Morzine aparentam estar esvaziadas por causa das restrições. Moradores só podem circular de carro com passe especial, e os ônibus locais também têm operação limitada. Corredores matinais e pessoas passeando com cachorros dividem as ruas com comboios oficiais, que cruzam de uma cidade para outra e, em alguns casos, interrompem o trânsito conforme a importância da comitiva. A passagem de Volodmir Zelenski nesta terça-feira alterou a circulação em Évian, cidade conhecida mundialmente pela água mineral.
Protestos
Na véspera do fórum, cerca de 20 mil pessoas marcharam pelas ruas da capital suíça sob forte esquema de segurança. O ato foi convocado pela coalizão No-G7 e reuniu palavras de ordem anticapitalistas, pró-palestinas, feministas e em defesa da ação climática.
Embora a manifestação tenha começado de forma pacífica, a situação saiu do controle no fim da tarde. Moradores de Genebra lamentaram os danos. “Há várias vidraças quebradas, mesmo com os tapumes. E nós não temos nada a ver, é lá na França o evento”, disse um morador vizinho ao aeroporto internacional de Genebra.
Pequenos grupos de manifestantes, muitos vestidos de preto e com o rosto coberto, lançaram garrafas, pedras, pedaços de concreto e rojões contra as forças de segurança, que reagiram com gás lacrimogêneo. Vários edifícios foram atacados, incluindo escritórios da PricewaterhouseCoopers e a sede da União Internacional de Telecomunicações.
Zelenski é recebido na cúpula
O ucraniano Volodmir Zelenski foi recebido por Macron nesta terça-feira antes de uma sessão de trabalho matinal com os líderes do G7 para discutir a guerra na Ucrânia. A reunião, intitulada “Construindo a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa”, começou às 10h locais, 5h no Brasil, e durou mais de uma hora.
Donald Trump chegou atrasado à reunião e não cumprimentou Zelenski, que recebeu um abraço do secretário de Estado Marco Rubio no corredor. O ucraniano foi recebido calorosamente, com abraços e beijos, pelos demais líderes do G7.
Embora o subtexto da cúpula seja a preparação cada vez maior da Europa para um futuro com um parceiro menos confiável como os Estados Unidos, Trump e Zelenski sentaram-se em lados opostos de Macron à mesa, sinalizando que a sessão de trabalho buscava, ao menos, manter os EUA engajados.
As negociações sobre a Ucrânia ocorrem após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de um acordo para encerrar a guerra de três meses e meio entre os EUA e o Irã. Trump afirmou ter tido boas conversas no domingo com Zelenski e Putin. “Agora que isso (o Irã) acabou, vamos nos concentrar nisso”, disse ele na cúpula do G7.
Nas últimas semanas, o conflito com o Irã ofuscou a guerra na Ucrânia, iniciada pelo presidente russo Vladimir Putin. Macron afirmou que pretende convencer Trump a manter o apoio à Ucrânia e a ampliar a pressão sobre a Rússia para que ajude a chegar a um acordo de paz.
Horas antes do início da cúpula do G7, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra as maiores cidades da Ucrânia, em um ataque que matou 11 pessoas e incendiou um importante local religioso.
Nesta terça-feira, os líderes do Grupo dos Sete recebem os países convidados, incluindo o Brasil. Também está prevista uma foto dos líderes do chamado G7 ampliado.