JUROS BÁSICOS

Copom se reúne para definir manutenção ou corte da Selic

Taxa básica está em 14,5%; comitê analisa indicadores da economia brasileira e global

Por Agência Brasil Publicado em 16/06/2026 às 08:02
Copom se reúne para avaliar a taxa básica de juros, atualmente em 14,5% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta terça-feira (16) e quarta-feira para decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano.

O colegiado vai avaliar indicadores da economia brasileira e global antes de definir se há espaço para nova redução dos juros ou se a taxa permanecerá elevada por mais tempo.

Na reunião anterior, em abril, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir os juros em 0,25 ponto percentual. Foi a segunda queda consecutiva da taxa, mas em ritmo menor. Entre as justificativas, o comitê apontou incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e expectativas de inflação em alta por período mais prolongado.

A Selic é a principal referência de juros do país e influencia financiamentos, empréstimos, investimentos e o crédito para empresas e consumidores.

Na ata divulgada, o Copom não indicou a trajetória futura dos juros. O comitê informou que monitora o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação, além de citar a permanência de incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz a ata.

Diante desse cenário, o mercado financeiro passou a rever as estimativas para a Selic. A previsão divulgada no boletim Focus dessa segunda-feira (15) é de que, até o fim de 2026, os juros fiquem em 13,5% ao ano, ante 13,75% na semana anterior.

O boletim também aponta que as expectativas de inflação, medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), seguem em alta, passando de 5,11% para 5,3% este ano. Com as pressões econômicas da guerra no Oriente Médio, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela décima quarta semana seguida, superando o intervalo da meta a ser perseguida pelo Banco Central.

A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

Escala 6X1

Também nesta terça-feira, há expectativa de que o plenário da Câmara dos Deputados vote o Projeto de Lei (PL) 1838/26, enviado pelo governo federal, que acaba com a escala 6X1 e destrave a pauta de votações.

Ontem (15), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que convocou para hoje à tarde uma reunião do colégio de líderes para tratar do projeto. O objetivo é que o relator da proposta, o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA), esclareça pontos do texto.

“Convoquei reunião de líderes para amanhã (16), às 14h. Na ocasião, o deputado @leopratesba vai esclarecer pontos do seu parecer sobre o PL que acaba com a escala 6x1, apesar de já termos aprovado a PEC sobre a redução da jornada de trabalho. Com a apreciação da matéria, destravamos a pauta da Casa”, escreveu Motta em uma rede social.

O projeto, encaminhado pelo governo em abril, define em 40 horas semanais o limite da jornada na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com oito horas diárias, além de garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas.

Por ter sido encaminhada em regime de urgência, a proposta está trancando a pauta do plenário da Câmara. Até que o projeto seja votado, a Casa só pode deliberar propostas de emenda à Constituição (PECs), projetos de Decreto Legislativo (PDLs) e requerimentos de urgência.

Prates deve manter os mesmos pontos da PEC aprovada no fim de maio, que acabou com a escala 6X1. O texto reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e estabelece a escala de cinco dias de trabalho por dois de folga (5x2). Atualmente, a PEC está em análise no Senado.