Dados do IRIS apontam sinais do Sol antes de grandes erupções
Estudo analisou quase cinco horas de observações anteriores a uma explosão solar de classe X9 registrada em outubro de 2024
Sinais captados pelo IRIS indicam que o Sol pode apresentar alterações horas antes de grandes erupções, o que pode contribuir para avanços na previsão do clima espacial.
Cientistas identificaram, pela primeira vez, sinais claros de que o Sol pode anunciar uma grande erupção horas antes de ela ocorrer. A análise foi possível a partir de um conjunto raro de dados registrado antes de uma explosão de classe X9, em outubro de 2024.
A descoberta oferece novas pistas sobre os processos que antecedem eventos extremos e pode ajudar, no futuro, a aprimorar a previsão do clima espacial.
O estudo, liderado por Louis Seyfritz, do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, analisou quase cinco horas de observações contínuas feitas pelo IRIS, um espectrógrafo da NASA que já monitorava a região ativa responsável pela erupção.
Essa coincidência permitiu registrar, com detalhes incomuns, as condições atmosféricas imediatamente anteriores ao evento.
Os pesquisadores observaram que três propriedades do plasma — brilho, movimento e velocidade não térmica — começaram a aumentar cerca de três horas antes da explosão. O comportamento sugere que o campo magnético solar estava se tornando progressivamente instável.
Segundo o estudo, um acúmulo tão longo de sinais pré-erupção é raramente documentado, o que torna o registro especialmente valioso.
A equipe também identificou oscilações regulares nessas propriedades, com ciclos que se repetiam a cada sete a dez minutos e outros entre 18 e 21 minutos.
As flutuações se concentravam em uma fronteira onde campos magnéticos opostos se encontram, região considerada crítica para o acúmulo de tensão magnética antes de grandes erupções.
Ainda não está claro o que causa essas oscilações. Elas podem refletir ondas atmosféricas ou pequenas reconexões magnéticas sucessivas.
Para Seyfritz, a presença desses ciclos, combinada ao aumento de brilho e turbulência, pode constituir uma assinatura precoce de erupções iminentes.
Entre 15 e 20 minutos antes da explosão, o plasma mostrou sinais de instabilidade mais intensa, com turbulência crescente e material sendo expelido. Os indícios são compatíveis com a liberação súbita de energia magnética que impulsiona erupções solares.
Nenhuma medição isolada funcionou como alerta definitivo, mas o conjunto de sinais chamou a atenção dos pesquisadores.
Embora promissoras, as conclusões ainda dependem de análises de muitos outros eventos para confirmar se essas assinaturas se repetem de forma consistente.
O próximo passo da equipe é ampliar a amostra de erupções estudadas. Se os padrões se mantiverem, eles poderão integrar futuros sistemas de previsão do clima espacial, aproximando os cientistas do objetivo de antecipar erupções com horas de antecedência.
Por Sputinik Brasil