RESERVAS INTERNACIONAIS

Bancos centrais ampliam interesse por ouro em meio à desdolarização

Pesquisa do Conselho Mundial do Ouro aponta recorde de 45% das autoridades monetárias com planos de elevar reservas do metal

Por Sputnik Brasil Publicado em 16/06/2026 às 05:19
Ouro ganha espaço nas reservas de bancos centrais em cenário de incerteza global © AP Photo / Ilia Naimushin

A busca por ouro entre bancos centrais ganhou força diante da instabilidade global e da tendência de desdolarização, segundo relatório publicado nesta terça-feira (16) pelo Conselho Mundial do Ouro.

De acordo com a pesquisa anual da entidade, cerca de nove em cada dez autoridades monetárias acreditam que as reservas globais do metal continuarão crescendo no próximo ano. O levantamento também indica expectativa de redução da dominância do dólar nos próximos cinco anos.

O estudo mostra que 45% dos bancos centrais pretendem aumentar suas reservas de ouro, o maior percentual já registrado pela pesquisa e acima dos 43% observados no ano anterior.

Segundo respostas de 76 bancos centrais consultados entre fevereiro e maio, a maioria após o início do conflito no Oriente Médio, o metal ultrapassou recentemente os papéis do Tesouro norte-americano como principal ativo de reserva. Ao mesmo tempo, 74% dos entrevistados esperam queda da participação do dólar nas reservas globais.

O desempenho do ouro em períodos de crise foi citado por 90% dos entrevistados como uma das principais razões para manter o metal nas reservas. Outros 84% destacaram sua função como reserva de valor de longo prazo, enquanto 82% apontaram a diversificação de portfólio.

Entre os mercados emergentes, o ouro é visto principalmente como proteção geopolítica, fator mencionado por 85% dos bancos centrais desse grupo. Parte das próximas compras deve ser financiada por programas domésticos em moeda local, embora 38% considerem vender reservas já existentes.

Nos últimos quatro anos, a acumulação média anual de ouro pelos bancos centrais chegou a 1.000 toneladas, o dobro do volume registrado na década anterior, em um cenário de maior incerteza global. Para 83% dos entrevistados, a participação do metal nas reservas deve crescer nos próximos cinco anos, percentual 17% superior ao registrado no ano passado.

A pesquisa também apontou mudanças nos padrões de armazenamento. Cerca de 9% dos bancos centrais aumentaram o volume de ouro mantido domesticamente no último ano, enquanto 10% diversificaram os locais de custódia no exterior.

"Menos [bancos centrais] veem isso como um investimento legado; mais o veem como uma alocação ativa e estratégica em um ambiente definido pela incerteza geopolítica e pela diversificação de reservas", afirmou Shaokai Fan, do Conselho Mundial do Ouro, segundo o South China Morning Post.

O avanço do interesse pelo metal também aparece em mercados específicos. A China registrou o 19º mês consecutivo de alta em suas reservas, chegando a 74,96 milhões de onças troy em maio.

Em Hong Kong, o Standard Chartered planeja construir sua primeira instalação de armazenamento de ouro para atender à demanda de bancos centrais e clientes de alta renda. O banco também projeta que o preço do metal alcance US$ 5.150 (R$ 27.810) por onça até o fim do ano.

Por Sputinik Brasil