COMÉRCIO EXTERIOR

Brasil avalia concessões para tentar barrar novas tarifas dos EUA

Governo admite negociar temas tarifários e comerciais, mas exclui Pix, STF e assuntos políticos das conversas com Washington

Por Sputnik Brasil Publicado em 15/06/2026 às 21:49
Brasil tenta evitar novas tarifas dos Estados Unidos sobre exportações © AP Photo / Mark Schiefelbein

O braço econômico do governo Lula avalia fazer concessões comerciais para tentar evitar a aplicação de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras prometidas pelos Estados Unidos. A medida é analisada no contexto da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre supostas práticas comerciais abusivas do Brasil.

Segundo publicado pela Folha de S.Paulo, Brasília está disposta a negociar pontos ligados a tarifas e comércio. Temas como Pix, Supremo Tribunal Federal (STF) e questões políticas, no entanto, estão fora das discussões com autoridades de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem até 15 de julho para decidir se aplica ou não as tarifas.

O Brasil já é alvo de uma tarifa de 12,5% por supostamente não conseguir coibir o trabalho forçado, assim como outros 58 países e a União Europeia. Somadas, as duas cobranças podem elevar a tarifa sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos a 37,5%, com exceção de alguns itens.

A investigação foi iniciada em julho de 2025 por determinação de Donald Trump e conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. De acordo com o representante comercial Jamieson Greer, houve diálogo intenso com o governo brasileiro, mas ainda permanecem divergências substanciais. As negociações do grupo bilateral criado para tentar evitar novas tarifas também não avançaram o suficiente.

A USTR, que havia elogiado o “engajamento construtivo” do Brasil, passou a sustentar que as práticas brasileiras justificam medidas corretivas.

Apesar da proposta de tarifa ampla, o documento prevê isenções para materiais informativos, doações e uma série de produtos agrícolas e industriais nos quais o Brasil é extremamente competitivo, como carnes específicas, frutas, café, especiarias, sementes e plantas medicinais.