BNDES diz ter recursos para financiar projetos de baterias do LRCAP 2026
Nelson Barbosa afirmou que a capacidade a ser contratada ainda depende de definições com o Ministério de Minas e Energia
O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou nesta segunda-feira, 15, que o banco tem funding suficiente para financiar os projetos do LRCAP 2026 de baterias. Segundo ele, a capacidade a ser contratada no certame ainda depende de definições com o Ministério de Minas e Energia (MME).
Em conversa com jornalistas na sede do banco, no Rio de Janeiro, Barbosa disse que a política de financiamento para as propostas vencedoras dos leilões está sendo construída “com pé no chão” e já desperta interesse de empresas estrangeiras.
“Temos R$ 27 bilhões no orçamento deste ano, que pode chegar a R$ 34 bilhões se o governo assim quiser e se o Congresso aprovar. Para o ano que vem, também haverá recursos”, afirmou, ao citar os recursos disponíveis no Fundo Clima, que opera com taxa de 6,5% ao ano para recursos reembolsáveis.
O LRCAP de baterias de 2026 foi estruturado pelo MME em dois leilões, com certames previstos para os dias 2 e 4 de dezembro. O primeiro, chamado LRCAP de 2026 - Armazenamento Nacional, será voltado a sistemas de armazenamento de energia em baterias que atendam aos requisitos mínimos de nacionalização. O segundo, LRCAP de 2026 - Armazenamento, será aberto a todos os projetos de sistemas de armazenamento em baterias.
Além dos recursos do Fundo Clima, o BNDES também vai disponibilizar o BNDES Mais Inovação, destinado ao desenvolvimento de tecnologias.
“Temos visto empresas europeias e mesmo empresas chinesas, em função do conteúdo local, demonstrando interesse de vir para cá, porque estão querendo descentralizar a produção e desenvolver as tecnologias aqui. O Brasil, hoje, é uma bola da vez”, disse o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior, José Luis Gordon.
“Para quem quiser desenvolver tecnologia aqui, a linha do Mais Inovação é a nossa linha mais barata, que é a TR, em torno de 2% ao ano, mais os spreads”, acrescentou.
Conteúdo local
O BNDES ainda não definiu qual será o porcentual mínimo de conteúdo local exigido dos projetos que pretendam obter financiamento por meio do Fundo Clima. Uma das possibilidades é a adoção de um mínimo de 15%. De acordo com Barbosa, existem diferentes formas de cumprir a exigência de conteúdo local.
“O conteúdo local começa pequeno e vai crescendo. Tem maneiras de você cumprir esse conteúdo local com várias atividades. Uma mesma empresa pode cumprir internalizando diferentes atividades. O mercado vai resolver isso. Não precisa, por exemplo, produzir a célula de bateria imediatamente. Tem que montar a bateria aqui até 2028”, exemplificou.