MERCADO FINANCEIRO

Juros futuros recuam com queda do petróleo antes da decisão do Copom

Acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu prêmios de risco no exterior e reforçou apostas de corte da Selic nesta quarta-feira

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/06/2026 às 18:10
Reprodução / Agência Brasil

Os juros futuros encerraram a segunda-feira, 15, em queda, acompanhando o maior apetite ao risco no exterior. O movimento foi influenciado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã, que encaminhou o conflito no Oriente Médio para uma solução e abriu espaço para uma queda de quase 5% nos preços do petróleo.

A redução da pressão sobre a commodity diminuiu o desconforto com o cenário inflacionário e elevou as chances de corte da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para quarta-feira, 17.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que reflete apostas para as reuniões do Copom em 2026, projetava 14,240%, ante 14,351% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2028 passou de 14,512% para 14,355%, enquanto o DI para janeiro de 2029 recuou de 14,449% para 14,330%. Na ponta longa, a taxa do DI para janeiro de 2031 caiu de 14,329% para 14,240%.

Na sexta-feira, o mercado já considerava a possibilidade de anúncio do acordo durante o fim de semana, o que acabou se confirmando. Mesmo assim, as taxas ainda tiveram espaço para novas quedas, com mínimas registradas na primeira parte dos negócios. A piora das medianas de IPCA na pesquisa Focus ficou em segundo plano.

O barril do Brent, referência para a Petrobras, caiu 4,76%, a US$ 83,17. A queda refletiu a percepção de que o acordo preliminar, que segundo o governo americano já foi assinado eletronicamente, tende a normalizar gradualmente o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo negociado no mundo.

A pressão do petróleo sobre os preços dos combustíveis vinha sendo um dos principais pontos de atenção para os cenários de inflação. Nesse contexto, o acordo pode contribuir para novos cortes da Selic e adiar uma alta de juros pelo Federal Reserve.

O economista-chefe da AZ Quest, André Muller, afirmou que o acordo “sem dúvida” contribui para a redução global dos prêmios de risco, embora o foco do mercado esteja no Copom. Segundo ele, os preços seguem indicando chance majoritária de corte de 25 pontos-base nesta quarta-feira, mas também mantêm indicação de aperto para o segundo semestre, avaliação que o economista classifica “mais como prêmio de risco do que qualquer outra coisa”. De acordo com Muller, a precificação no meio da tarde era de taxa a 14,54% no fim de 2026.

O economista-chefe da Lev Investimentos, Jason Vieira, disse que o fechamento da curva representa um ajuste “aos eventos no Oriente Médio, ainda que parte do mercado esperasse um dólar mais fraco, o que acabou não acontecendo”. Para ele, o movimento não altera a expectativa para o Copom, que “sempre” foi de corte de 25 pontos na Selic. “Uma vez concretizado, o acordo ajuda os vértices mais longos da curva”, afirmou.

Vieira avaliou ainda que o acordo deve ajudar o Copom a justificar uma nova redução da Selic em comparação ao cenário de uma semana atrás. “Era mais complicado justificar o corte”, disse o economista.

Para André Muller, o Copom deve reduzir a Selic para 14,25%, mas sem indicar os próximos passos. “Me parece que vão ser conservadores nessa decisão de cortar, e sem dar indicação para o próximo passo. Nesse momento, não temos tanto espaço para redução adicional da Selic”, justificou. No Boletim Focus, as medianas de inflação e juros subiram, mas tiveram impacto marginal na curva. “As inflações implícitas já estão precificando isso há algumas semanas”, explicou.

A inflação suavizada do IPCA para os próximos 12 meses subiu de 4,04% para 4,11%. A projeção para 2026 avançou de 5,11% para 5,30%, e a de 2027 passou de 4,03% para 4,10%, ambas ainda mais distantes do teto da meta de inflação, de 4,5%. A estimativa para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75%.