Ibovespa vira e fecha em queda com pressão da Petrobras e saída de fluxo estrangeiro
Índice recuou 0,42%, aos 170.415,13 pontos, após alta pela manhã; queda do petróleo pesou sobre ações da estatal
O Ibovespa iniciou a segunda-feira em forte alta, com avanço superior a 1,8% pela manhã, em meio ao maior apetite global por risco após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. No decorrer do pregão, porém, o movimento perdeu força. A preferência de investidores estrangeiros por ações de tecnologia, refletida na alta de mais de 3% do Nasdaq, reduziu o fluxo para a Bolsa brasileira.
O índice também foi pressionado pela queda expressiva de papéis ligados ao petróleo e pelo desconforto com a agenda fiscal em meio às eleições. Depois de atingir máxima de 174.228,27 pontos, com alta de 1,81%, e mínima de 170.351,05 pontos, em baixa de 0,46%, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,42%, aos 170.415,13 pontos. O giro financeiro somou R$ 29,21 bilhões.
Entre as principais ações do índice, Petrobras ON caiu 5,30% e Petrobras PN recuou 5,15%, ambas nas mínimas. Os grandes bancos tiveram perdas inferiores a 1%, enquanto Vale avançou 2,5%.
Segundo um alto funcionário americano informado à agência Reuters, os Estados Unidos já assinaram eletronicamente o acordo preliminar firmado com o Irã para suspender as hostilidades no Oriente Médio por 60 dias. A expectativa é de reabertura do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira, 19, o que contribuiu para a queda de 4,76% do Brent, cotado a US$ 83,17 por barril.
Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a assinatura do acordo é positiva para a economia brasileira no que se refere à inflação e, em consequência, à política monetária. Ele pondera, no entanto, que a euforia observada no Ibovespa pela manhã se dissipou ao longo do dia, à medida que investidores estrangeiros voltaram a priorizar ações de tecnologia e Inteligência Artificial (IA), em vez de mercados emergentes. “Vemos Petrobras caindo forte com petróleo, mas outros setores também passando a ceder”, afirmou.
O head de renda variável da Faz Capital, Alexandre Pletes, também avalia que a saída de capital estrangeiro está relacionada ao maior interesse por Estados Unidos e tecnologia. “SpaceX puxou muito fluxo no IPO na última semana, e isso traz reflexo para as Bolsa globais. Hoje, apesar da queda dos juros, a Petrobras corrige forte e os bancos não andaram”, disse.
Na mesma linha, o especialista Pedro Henrique Carneiro Gonçalves, da Valor Investimentos, observou que o Brasil, por ser exportador relevante de petróleo, acaba sendo penalizado nos termos de troca quando a commodity cai. Como resultado, segundo ele, o movimento “impacta diretamente as empresas de grande peso no índice”. Ele acrescentou que, apesar do otimismo inicial, o mercado ainda acompanha os detalhes do acordo, que só será formalmente assinado na sexta-feira.
Perri também citou a pesquisa BTG Pactual/Nexus como ponto de atenção para o mercado financeiro. De acordo com ele, o levantamento indica que a “política fiscal seguirá temerária, altamente inflacionária e que deve prejudicar a curva de juros à frente”. Nesta segunda-feira, contudo, a curva de juros cedeu.
A pesquisa mencionada pelo economista mostrou que a aprovação do governo Lula superou a desaprovação pela primeira vez em quatro meses. O levantamento também apontou que o petista venceria Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) em eventual segundo turno.
Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o economista sênior global da Oxford Economics, Felipe Camargo, afirmou que o quadro fiscal do Brasil não permite ao investidor estrangeiro fazer um investimento estrutural de longo prazo no País.
O cenário-base da consultoria é de reeleição de Lula, hipótese que o economista não considera muito positiva. Segundo ele, a manutenção do arcabouço atual prevê estabilização da dívida pública, na melhor das hipóteses, apenas depois de 2030.