MERCADO FINANCEIRO

Dólar fecha em leve alta, a R$ 5,0668, em dia de queda do petróleo

Moeda norte-americana avançou 0,10% nesta segunda-feira, após acordo provisório entre Estados Unidos e Irã reduzir prêmios de risco geopolítico.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/06/2026 às 17:51
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O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira, 15, ensaiando uma queda mais forte, mas ganhou força ao longo da tarde e terminou o dia em leve alta. O movimento ocorreu na contramão da tendência predominante de baixa da moeda norte-americana no exterior.

O pregão foi marcado pela redução dos prêmios de risco geopolítico e pela forte queda das cotações do petróleo, após o anúncio, no fim de semana, de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã. O entendimento prevê a reabertura total do Estreito de Ormuz.

Mesmo com o ambiente favorável a ativos de risco, o real perdeu fôlego na segunda metade dos negócios. Segundo o texto original, o movimento foi influenciado por ajustes intradia e por eventual fluxo de saída da bolsa doméstica.

Investidores reduziram posições favoráveis à moeda brasileira, que haviam sido montadas com base na tese de melhora dos termos de troca, já que o Brasil é exportador líquido de petróleo. Outra moeda beneficiada pela alta recente da commodity, o peso colombiano, também teve desempenho negativo nesta segunda-feira, com perdas de quase 1%.

Depois de atingir máxima de R$ 5,0743, em linha com a redução das perdas da moeda norte-americana no exterior, o dólar à vista encerrou cotado a R$ 5,0668, com alta de 0,10%. Na semana anterior, a divisa havia recuado 1,86%.

No mês, o dólar acumula avanço de 0,47%, após alta de 1,82% em maio. No ano, a moeda norte-americana registra queda de 7,69% frente ao real, que aparece entre os melhores desempenhos das moedas mais líquidas.

O chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, mantém posição “neutra” em relação ao real. Em nota, ele afirma que a moeda brasileira sofreu recentemente em meio a um estresse no mercado de juros local. “Além disso, Lula tomando a dianteira nas pesquisas eleitorais parece ter pesado sobre o real”, declarou.

Turner avalia, porém, que é muito “caro” apostar contra a moeda brasileira, por causa dos juros locais ainda elevados. Ele também cita o status do Brasil como exportador de energia e a perspectiva de aumento do ingresso de divisas pelo setor agrícola, com o El Niño, como fatores que podem dar sustentação ao real.

As cotações do petróleo fecharam o pregão regular em forte queda, diante da perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz a partir da próxima sexta-feira, 19, quando deve ser formalizado o acordo de cessar-fogo por 60 dias entre Estados Unidos e Irã, alcançado no fim de semana.

Apesar de analistas apontarem fragilidades no acordo, o Brent para agosto, referência de preços para a Petrobras, terminou em baixa de 4,76%, a US$ 83,17 o barril. No ano, a commodity ainda acumula alta superior a 30%.

A economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, observa que o real, ao lado do peso colombiano, apresenta o melhor desempenho entre as moedas emergentes em 2026. Segundo ela, esse comportamento pode ser explicado pelo fato de Brasil e Colômbia serem exportadores líquidos de energia.

Ferrão ressalta, no entanto, que a volatilidade da moeda brasileira segue elevada em comparação com seus pares, o que deixa a taxa de câmbio mais sujeita a oscilações relevantes no curto prazo.

“A volatilidade corrente, porém, continua relativamente baixa quando comparada à própria história do real, o que ajuda a sustentar estratégias de carry, embora mantenha o risco de movimentos mais amplos em episódios de aversão ao risco”, afirmou Ferrão, em relatório.

O índice DXY, referência do comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, rondava os 99,700 pontos por volta das 17h, próximo da máxima da sessão, depois de atingir mínima de 99,384 pontos pela manhã.

As taxas dos Treasuries de dois e dez anos recuaram, embora de forma moderada. É considerado certo que o Federal Reserve manterá, na quarta-feira, 17, a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,50% e 3,75%.

As atenções do mercado estão voltadas para o tom da decisão na primeira reunião de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, a perspectiva de reabertura de Ormuz tende a trazer “uma onda de otimismo”, ao reduzir os argumentos para uma alta de juros pelo Fed e enfraquecer o DXY, o que favorece ativos de risco.

“Com essa redução do risco global, deveremos ter oportunidade para montar uma estratégia de compra de dólares para atravessar o período de volatilidade eleitoral”, afirmou Junior.