Pré-candidatos da direita ajustam discurso após áudios de Flávio Bolsonaro com Vorcaro
No Veja Fórum Rumos do Brasil, em São Paulo, Caiado, Zema e Moro comentaram a crise envolvendo o senador do PL
Pré-candidatos ligados à direita brasileira se manifestaram, nesta segunda-feira (15), mudanças de tom em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também colocado como pré-candidato, após a divulgação de áudios que apontam uma relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, citado no escândalo bilionário do Banco Master.
As declarações ocorreram durante o Veja Fórum Rumos do Brasil, realizado em São Paulo (SP), onde lideranças políticas foram questionadas sobre o impacto do episódio no cenário eleitoral.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto Ronaldo Caiado (PSD) avaliou que as divulgações recentes reduziram parte do fôlego da campanha de Flávio Bolsonaro. Ele também foi apresentado como alternativa para disputar o eleitorado em um eventual segundo turno. “O que precisamos é de um candidato que chegue no segundo turno em condições de poder enfrentar e ganhar as eleições.”
Ao ser questionado diretamente sobre a ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Caiado evitou fazer uma defesa pública do adversário na corrida de 2026.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) buscou nacionalizar seu discurso regional e retomou a linha do antipetismo para deslocar o foco das denúncias envolvendo o aliado do Partido Liberal (PL). "O PT [Partido dos Trabalhadores] praticamente não existe mais em Minas Gerais. Eu enterrei o PT. O PT não disputou eleições de Minas para governador em 2022 e não vai disputar esse ano."
A postura adotada por Zema no evento contrastou com declarações recentes dadas por ele no Brasil Paralelo. Na entrevista, o político mineiro fez críticas ao senador do PL, classificou o episódio dos áudios como "um tapa na cara dos cidadãos de bem" e afirmou que "quem anda com bandido merece ser visto com cautela".
Na mesma ocasião, Zema disse que "é imperdoável ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro". Nesta segunda, porém, o tom foi de defesa de uma coalizão ampla contra a esquerda. “Ningúem aqui vai subir em palanque de PT não, quem é da direita”, afirmou, em comparação com as eleições chilenas de 2025, quando candidatos da direita se uniram no segundo turno para apoiar José Antonio Kast contra a rival progressista Jeannette Jara.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
No centro da crise, Flávio Bolsonaro usou sua participação no painel para tentar reduzir os danos e afirmou que as conversas gravadas com Daniel Vorcaro tratavam de "iniciativas de ordem privada".
Questionado sobre os áudios que revelaram pedidos de cifras milionárias para financiar o filme “Dark Horse”, ficção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro, o senador disse que a relação com Vorcaro se limitou ao projeto. "Minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não há absolutamente nada de errado."
A versão de que se tratava de investimento privado recebeu apoio, em tom irônico, do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, também citado em planilhas que sugerem influência na gestão e no destino dos recursos da produção no exterior.
Eduardo Bolsonaro minimizou suspeitas levantadas por investigações jornalísticas sobre o repasse de mais de US$ 10 milhões por meio de fundos internacionais. "O valor pode ser o valor que você quiser, o dinheiro é seu? É do pagador de impostos? O dinheiro é meu", reagiu o ex-parlamentar.
Além da crise financeira e das frentes jurídicas abertas, Flávio Bolsonaro retomou uma pauta internacional com o eleitorado conservador. Ele afirmou ter feito gestões diretas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tentar reduzir barreiras comerciais. “Pedi a Washington que não haja tarifação das empresas brasileiras”, declarou.
O senador também defendeu a proposta de Donald Trump de classificar facções brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. “É natural que qualquer presidente que realmente queira derrotar todos e fazer pactos com outras nações”, justificou.
O senador Sergio Moro (PL-PR) também ajustou o discurso diante do cenário de crise. Recém-filiado ao partido da família Bolsonaro para disputar o governo do Paraná, o ex-juiz da Lava Jato estabeleceu uma posição de distanciamento protocolar ao comentar a situação dos colegas de bancada.
“O senador Flávio Bolsonaro já apresentou as petições e assinou os pedidos de investigação. Vamos aguardar os desdobramentos”, afirmou Moro.
Por Sputinik Brasil