ECONOMIA

Durigan diz que política monetária deve seguir no debate público

Em entrevista, ministro defendeu a manutenção da meta contínua de inflação e citou aprimoramentos na relação entre BC e equipe econômica

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/06/2026 às 13:15
Dario Durigan Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a política monetária não deve ficar fora do debate público. A declaração foi dada em entrevista à Warren Investimentos, gravada na última sexta-feira, 12, e publicada nesta segunda-feira, 15. Ele também defendeu que a meta contínua de inflação não seja alterada.

“Nós não podemos excluir da esfera do debate político qualquer tema desses, seja a política fiscal, seja a política monetária, seja a política de saúde, a política de investimento”, disse o ministro, ao ser questionado sobre o assunto. “Isso está, sim, aberto ao debate.”

De acordo com Durigan, a meta de inflação contínua, adotada em 2025, ainda não foi satisfatória pela sociedade. O modelo considera o IPCA acumulado em 12 meses, e não mais o ano-calendário. Por esse motivo, segundo ele, mudanças não seriam recomendáveis ​​neste momento. Atualmente, o centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O ministro também disse que a relação entre o Banco Central e a equipe econômica do governo pode ser aperfeiçoada em diferentes frentes, incluindo a cooperação entre as políticas fiscais e monetárias. “Por exemplo, nós estamos discutindo, agora, o 'enforcement' das apostas, e é importante que a gente tenha um BC muito próximo, porque os recursos dessas apostas estão passando dentro do sistema financeiro”, afirmou.

Aprimoramentos

Durigan declarou ver com “bons olhos” o voto em separado do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, que na quarta-feira, 10, defendeu que a Corte de Contas analise o relatório Focus. Segundo Dantas, a proposta busca ampliar a transparência do boletim, que analisa projeções do mercado para variáveis ​​econômicas.

“Se há, hoje, uma constatação de que o Focus pode melhorar, no sentido de dar mais dados, mais transparência e incluir eventualmente outros índices, acho importante que a gente avance para isso”, disse o ministro da Fazenda. Ele ponderou, porém, que não há intenção de interferir no Banco Central.

Durigan também defendeu uma reavaliação da composição do IPCA. Segundo ele, há percepção de que itens que ganharam relevância nos últimos anos, como serviços de streaming, estão sub-representados. A última atualização dos itens que integram o IPCA foi realizada em 2020, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018.

Orçamento

O ministro da Fazenda afirmou ainda que o Orçamento a ser anunciado pelo governo para 2027 não terá armadilhas para os anos seguintes.

“O maior sinal de que vamos deixar a economia melhor ou pelo menos a parte do Orçamento Público, a parte fiscal, melhor, é que o Orçamento que vamos apresentar em 31 de agosto, com base na LDO para 2027, não tem armadilha escondida”, declarou Durigan.

Brasil como potencial fonte energética global

Segundo o ministro, o mundo vê o Brasil como um “porto seguro” e com potencial para ser uma boa fonte de energia limpa global.

Reforma turística

Ao tratar da reforma tributária, Durigan afirmou que o custo do benefício fiscal para setores ficará claro na alíquota do IVA. Ele também disse que pautas-bomba, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Templos, aumentariam o IVA em 1 ponto porcentual caso fossem aprovados em definitivo.