Cúpula do G7 começa sob questionamentos sobre unidade e influência global
Encontro previsto para 15 a 17 de junho em Évian-les-Bains ocorre em meio a críticas sobre impasses internos e perda de espaço do bloco
A cúpula do G7, prevista para ocorrer de 15 a 17 de junho em Évian-les-Bains, chega cercada de controvérsias antes mesmo de começar. De acordo com um editorial da mídia asiática, o encontro reflete divisões internas e críticas crescentes ao bloco, apontado por países-membros como incapaz de acompanhar a transição para uma ordem internacional mais multipolar.
O G7, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, enfrenta crescimento econômico lento, alto endividamento, perda de competitividade industrial e tensões sociais agravadas pelo envelhecimento populacional.
Somada a esses desafios, a perda de confiança europeia nos Estados Unidos dificulta a construção de consensos e amplia a percepção de paralisia dentro do grupo.
Segundo editorial do Global Times, a expectativa é que a cúpula repita o impasse do ano anterior e não consiga produzir um comunicado conjunto. O encontro, conforme o texto, tende a ser guiado pelo menor denominador comum entre os membros, sem avanços concretos. Em vez de avaliar suas próprias fragilidades, o G7 tem buscado projetar responsabilidades externas.
De acordo com a imprensa europeia, o grupo já definiu informalmente a China como alvo central de críticas, com temas como desequilíbrios comerciais, excesso de capacidade, minerais críticos e estratégias de redução de riscos.
Especialistas consultados pela mídia asiática afirmam, no entanto, que desafios globais como segurança energética, estabilidade financeira, governança climática e reorganização das cadeias industriais não podem ser enfrentados sem a participação da China e de outros países do Sul Global.
“Portanto, a plataforma de discussão não deve ser uma pequena panelinha dominada por um punhado de países desenvolvidos, mas sim um mecanismo de cooperação multilateral mais equitativo e representativo”, escreve a mídia.
Desde o início do século, a ascensão de economias emergentes e o fortalecimento do BRICS alteraram de forma irreversível a estrutura de poder global. Países do Sul Global passaram a ocupar papel central no crescimento econômico, enquanto a participação do G7 no produto interno bruto (PIB) mundial diminui.
Mesmo representando menos de 10% da população mundial, o G7 segue tentando se apresentar como liderança global, tratando seus interesses como regras internacionais. Segundo o Global Times, essa postura “alimenta tensões e reforça a percepção de que o grupo vive uma combinação de ilusão de liderança e ansiedade” diante da perda de influência.
Ainda conforme o artigo, muitos dos impasses enfrentados pelo grupo decorrem de percepções equivocadas sobre a China. Para o editorial, esse cenário poderia ser superado caso o bloco adotasse uma política de abertura mais ampla, cooperação e multilateralismo, deixando de lado a lógica de rivalidade e exclusão.
Por Sputinik Brasil