Durigan diz que fiscal pesa no debate, mas não explica sozinho juros altos
Em entrevista à Warren Investimentos, ministro citou cultura de rentismo, falta de poupança e câmbio como fatores relacionados ao tema
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o cenário fiscal tem relevância para a inflação e para os juros, mas não deve ser apontado como a única causa das taxas elevadas no Brasil. A declaração foi dada em entrevista à Warren Investimentos, gravada na última sexta-feira, 12, e divulgada nesta segunda-feira, 15.
Durigan disse ver no País uma cultura de rentismo que pressiona por juros mais altos em comparação com outras economias. “Eu acho que tem uma cultura do rentismo brasileiro que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países, mas sem dúvida nenhuma o fiscal faz parte desse debate. Ele não deve ser a resposta fácil, que se dá como placebo para tudo, mas o meu papel a frente da Fazenda é que a gente melhore o fiscal na maior medida que a gente puder”, afirmou.
Segundo o ministro, a questão fiscal influencia inflação e juros, mas não é a responsável isolada pelo patamar elevado das taxas. Ele mencionou também a falta de poupança e a volatilidade do mercado de câmbio como fatores que compõem esse cenário.
“Tem outros elementos que compõe essa colcha de retalhos. O fiscal é um deles, eu não estou fugindo da raia, mas outro dos elementos é a falta de poupança que nós temos no País, seja pública ou privada”, completou Durigan.