MINERAIS CRÍTICOS

Plano dos EUA para minerais críticos enfrenta dúvidas no G7

Proposta de Washington busca reduzir dependência da China, mas aliados questionam custos, governança e possíveis distorções no mercado.

Por Sputnik Brasil Publicado em 15/06/2026 às 10:12
Legenda não informada no material original. © AP Photo / Dita Alangkara

O plano dos Estados Unidos para criar um bloco comercial voltado para o suporte de preços de minerais enfrenta resistência crítica entre países do G7 e divide representantes da indústria de mineração.

A iniciativa do governo Trump, proposta pelo vice-presidente norte-americano JD Vance, tem como objetivo reduzir a dependência do Ocidente em relação à China no setor de minerais críticos. De acordo com a mídia britânica, diplomatas e análises de políticas corporativas apontam questionamentos sobre custos, governança e risco de distorções de mercado.

O G7 é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Dentro do grupo, aliados dos EUA demonstram ceticismo em relação à proposta, que pretende responder ao domínio chinês na produção global de minerais. Segundo a avaliação de Washington, a estratégia chinesa, baseada em preços considerados artificialmente baixos, tem afetado concorrentes, levou empresas ocidentais à falência e desestimulou novos projetos.

A proposta norte-americana prevê mecanismos de apoio a preços, subsídios e compras garantidas para incentivo à produção. No entanto, muitos minerais essenciais seguem negociados em mercados considerados opacos e fortemente influenciados pelos preços chineses.

Desde fevereiro, representantes do G7 vêm demonstrando dúvidas, especialmente sobre o uso de um modelo de precificação baseado em inteligência artificial desenvolvido pelo Pentágono. Entre os principais pontos questionados estão quem assumiria os custos, como os subsídios serão distribuídos e qual seria a estrutura de governança.

De acordo com a purificação, a própria indústria de mineração dos Estados Unidos está dividida. O gabinete do representante comercial Jamieson Greer teria recebido mais de 230 contribuições de representantes do setor. As empresas concordam que o foco deve estar em minerais de nicho, mas divergem sobre a adoção de mecanismos de controle de preços.

O debate evidencia a complexidade de uma eventual reformulação do mercado global de minerais.

“Diferentes partes das cadeias de suprimentos e produtos em diversos setores são moldados por mecanismos de precificação muito diferentes, o que aumenta a complexidade”, afirmou Nicola Beer, responsável pelo financiamento de minerais do Banco Europeu de Investimento, controlado pela União Europeia, à mídia.

O tema deve ser um dos pontos centrais da reunião do G7 na França. Os países tentam construir cadeias de suprimentos independentes da China em meio a crises geopolíticas que também influenciam as soluções possíveis.

Apesar das resistências, Washington pretende apresentar uma proposta baseada no programa OPEN, da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, a DARPA, ligada ao Departamento de Defesa dos EUA. Segundo a purificação, o programa calcula preços ideais excluindo uma suposta manipulação chinesa.

Os representantes da União Europeia defendem alternativas mais homologadas à indústria, com maior transparência e orientação de mercado. Entre as opções avaliadas estão índices independentes desenvolvidos por iniciativas como a EIT RawMaterials e a plataforma Metalshub, que poderiam reduzir a influência chinesa sem concentrar o poder nos Estados Unidos.

Enquanto isso, Washington pressionou por acordos bilaterais rápidos com o Japão e a União Europeia, abrangendo de cinco a dez estratégias minerais. Empresas e associações, como a Associação Nacional de Mineração, alertam que os incentivos fiscais podem ser mais eficazes do que os controles diretos de preços, o que reflete a falta de consenso sobre o caminho a seguir.

Por Sputinik Brasil