Romance ambientado no Atol das Rocas convida à reflexão sobre os Oceanos
Livro de Roberto Basílio de Matos transforma um dos ecossistemas mais preservados do Atlântico em cenário para discutir sobrevivência, pertencimento e a relação entre ser humano e natureza
Celebrado em 8 de junho, o Dia Mundial dos Oceanos traz à tona a importância da preservação dos ambientes marinhos e da conscientização sobre o papel que eles exercem na manutenção da vida no planeta. Nesse contexto, o romance “Longitude 33º Oeste”, do ator e escritor Roberto Basílio de Matos, publicado pela Editora Urutau, encontra uma conexão atual ao transportar o leitor para o Atol das Rocas, a primeira reserva biológica marinha do Brasil e um dos ecossistemas mais singulares do Oceano Atlântico. A obra utiliza esse cenário remoto para construir uma narrativa sobre sobrevivência, família e a profunda ligação entre o ser humano e o mar.
A história acompanha o faroleiro João, sua esposa Maria e as filhas Joana e Janaína, que vivem isolados em meio à vastidão oceânica no início do século XX. Cercados pela força da natureza, pela escassez de recursos e pela distância do continente, os personagens enfrentam desafios que revelam a dependência humana em relação aos ciclos naturais e aos recursos oferecidos pelos oceanos. O mar, mais do que pano de fundo, assume papel central na construção da narrativa e na trajetória da família.
Ao longo do romance, o Atol das Rocas surge como personagem vivo, moldando comportamentos, crenças e sentimentos. A convivência diária com a força das marés, os ventos e o silêncio do oceano despertam reflexões sobre equilíbrio ambiental, respeito à natureza e os limites da presença humana em ambientes frágeis. Em um momento em que a preservação dos oceanos ocupa lugar de destaque nas discussões globais, a obra oferece uma abordagem literária capaz de aproximar o público dessas questões.
Com estrutura fragmentada e capítulos dedicados aos diferentes integrantes da família, “Longitude 33º Oeste” alterna perspectivas para explorar medos, desejos e descobertas. João desenvolve uma relação quase espiritual com o mar; Maria encontra na maternidade sua forma de resistência; Joana transforma o isolamento em imaginação; e Janaína observa o horizonte como símbolo de liberdade e possibilidade. A narrativa combina lirismo, oralidade e regionalismo para construir uma experiência sensorial marcada pela presença constante do ambiente marinho.
Além da dimensão humana, o livro também revisita episódios da história marítima brasileira, incluindo relatos de naufrágios e referências à importância estratégica do Atol das Rocas para a navegação. O resultado é uma obra que dialoga tanto com a memória do oceano quanto com os desafios contemporâneos de conservação de seus ecossistemas.
"Somos seres sociais, não isolados. O livro aborda essa fragilidade do humano perante o outro e a si mesmo, quando os laços externos são cortados. Que mundo queremos para nós, quando destruímos aquilo que nos mantém vivos?” – Beto Matos,

Sobre o autor:
Roberto Basílio de Matos (Beto Matos) acumula uma trajetória premiada nas artes. Cofundador da Cia. De teatro Phila7 e vencedor do Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2005, já publicou Guarda-chuva? Guarda-chuva! (Prêmio Lusofonias em Portugal) e Nosso diário (2019). Em "LONGITUDE 33° Oeste", ele une seu olhar biológico sobre a natureza e sua experiência dramática para construir uma narrativa sensível sobre a condição humana.
Serviço:
Livro: Longitude 33 º Oeste
Autor: Beto Matos
Editora: Urutau
Disponível para compra através do link