ECONOMIA GLOBAL

Fitch mantém nota de crédito da China em A e aponta resistência da economia

Agência projeta crescimento de 4,6% em 2026, mas alerta para déficits elevados e avanço da dívida pública

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/06/2026 às 08:45
Fitch Reprodução

A Fitch Ratings reafirmou nesta segunda-feira a nota de crédito de longo prazo da China em moeda estrangeira em A, com perspectiva estável. A decisão foi baseada na resiliência da economia chinesa, na posição estratégica do país no comércio global e na solidez das contas externas.

Apesar da avaliação, a agência alertou para desafios fiscais de médio prazo, relacionados a déficits elevados e ao crescimento da dívida pública.

Em comunicado, a Fitch informou que a China deverá registar um crescimento de 4,6% em 2026, depois de uma expansão de 5% em 2025. O ritmo previsto fica bem acima da mediana dos países com a mesma classificação de risco.

Segundo a agência, as exportações e a atividade manufatureira devem continuar sustentando a segunda maior economia do mundo, mesmo diante de um ambiente externo volátil.

A Fitch também destacou a cúpula recente entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a agência, a ênfase em "estabilidade estratégica" tende a reduzir o risco de uma nova escalada tarifária no curto prazo.

Outro ponto relatado foi a proteção relativa da China contra os impactos da alta dos preços de energia. De acordo com a Fitch, o país conta com elevados estoques de petróleo, ampla capacidade de refino e diversificação de fontes energéticas.

Por outro lado, a demanda doméstica permanece fraca. A confiança das famílias segue pressionada pelos efeitos da crise imobiliária e por um mercado de trabalho ainda moderado.

A agência informou, no entanto, sinais de melhoria na dinâmica de preços. A projeção é de inflação ao consumidor de 1,2% neste ano, após apenas 0,1% em 2025, encerrando um período de cerca de três anos de pressão deflacionária.

No campo fiscal, a Fitch prevê uma redução modesta do déficit consolidado, para 7,3% do PIB em 2026, ante 7,6% no ano passado. Ainda assim, a dívida do governo geral deve continuar avançando e chegar a quase 80% do PIB até 2028, frente a 68,5% em 2025.