Lesões no joelho crescem entre jogadores amadores na Copa do Mundo; prevenção pode reduzir risco em até 50%
Com aumento das partidas recreativas durante grandes torneios, ortopedista reforça sinais de alerta, prevenção e avanços no tratamento de lesões esportivas
A Copa do Mundo 2026 aquece não só as torcidas, mas também os gramados amadores. E com o aumento das partidas recreativas motivadas pelo torneio, cresce também o risco de lesões; joelho, tornozelo e musculatura da coxa concentram a maior parte das ocorrências no futebol, segundo revisão publicada no British Journal of Sports Medicine.
Para especialistas, o período exige atenção redobrada, já que boa parte dessas lesões pode ser evitada com medidas preventivas simples. Estudos mostram que programas de fortalecimento muscular, aquecimento e treino neuromuscular podem reduzir em até 50% o risco de lesões no futebol.
De acordo com o médico ortopedista Dr. Guilherme Morgado Runco, consultado pela Zimmer Biomet, entre os problemas mais comuns estão entorses, lesões musculares, rupturas meniscais e danos ligamentares — especialmente no joelho — frequentemente associados à falta de preparo físico, aquecimento inadequado, excesso de esforço ou retorno precoce às atividades após dores e lesões anteriores.
Ele orienta que o comportamento do atleta recreativo durante grandes eventos esportivos merece atenção especial.
“É muito comum que pessoas que jogam futebol apenas ocasionalmente aumentem a frequência das partidas motivadas pela Copa do Mundo. O problema é que o corpo nem sempre está preparado para essa mudança brusca de intensidade. O futebol exige explosão muscular, desaceleração rápida, giro, contato físico e movimentos de alta demanda para o joelho”, explica.
Lesão no joelho está entre os principais problemas do futebol recreativo
Entre as lesões mais recorrentes no futebol está a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), problema que frequentemente afasta atletas profissionais dos gramados por meses e que também aparece com frequência entre jogadores amadores. O mecanismo da lesão costuma envolver mudanças rápidas de direção, torções do joelho ou aterrissagens inadequadas após saltos.
“O atleta recreativo normalmente não possui o mesmo preparo muscular, condicionamento e acompanhamento preventivo de um jogador profissional. Isso aumenta o risco de lesões importantes mesmo em partidas informais. Muitas vezes vemos pessoas jogando após longos períodos sedentários, sem fortalecimento muscular e sem qualquer aquecimento adequado”, afirma Dr. Guilherme Morgado Runco.
Além das lesões ligamentares, o especialista destaca que problemas musculares e lesões por sobrecarga também aumentam significativamente em períodos de maior prática esportiva. Dor persistente, inchaço, sensação de instabilidade no joelho e limitação de movimento estão entre os principais sinais de alerta que exigem avaliação médica.
Fortalecimento muscular e aquecimento ajudam a prevenir lesões
Embora o futebol envolva contato e movimentos de alto impacto, grande parte das lesões pode ser evitada com preparação adequada. Segundo Dr. Guilherme Morgado Runco, o preparo físico é um dos fatores mais negligenciados pelos praticantes recreativos.
“O futebol não deve ser encarado como uma atividade de fim de semana sem preparo prévio. O fortalecimento da musculatura do core, quadríceps e posterior de coxa é fundamental para proteger as articulações. Além disso, respeitar sinais de fadiga e evitar excesso de partidas em sequência reduz bastante o risco de lesões”, destaca.
O especialista também reforça a importância do retorno gradual após dores ou lesões prévias. “Muitas pessoas melhoram parcialmente da dor e voltam a jogar antes da recuperação completa. Isso favorece compensações musculares e aumenta o risco de lesões mais graves.”
Lesões repetidas podem acelerar desgaste das articulações
Embora a maioria das lesões esportivas seja tratada sem necessidade de procedimentos mais complexos, o especialista alerta que lesões graves ou recorrentes, especialmente quando não recebem tratamento adequado, podem aumentar o risco de desgaste articular ao longo do tempo.
Segundo Dr. Guilherme Morgado Runco, traumas envolvendo meniscos, cartilagem e ligamentos podem contribuir para o desenvolvimento precoce de artrose, condição caracterizada pela degeneração progressiva da articulação.
“Uma lesão importante no joelho não afeta apenas o momento do trauma. Dependendo da gravidade, da estrutura comprometida e da forma como ocorre a recuperação, ela pode acelerar o desgaste da articulação ao longo dos anos. Por isso, diagnóstico precoce, tratamento adequado e reabilitação são fundamentais para preservar a saúde articular no longo prazo”, explica.
Nos casos mais avançados de desgaste articular, quando há comprometimento significativo da qualidade de vida e da mobilidade do paciente, pode ser necessária a realização de uma cirurgia de substituição da articulação por uma prótese ortopédica. Nesses procedimentos, tecnologias robóticas vêm ampliando a precisão cirúrgica e a personalização do tratamento.
“A robótica é utilizada nas cirurgias de substituição articular, como a artroplastia total do joelho, permitindo maior precisão no planejamento e posicionamento dos componentes da prótese. O objetivo é proporcionar um procedimento mais personalizado e com maior previsibilidade dos resultados”, afirma.
Apesar da evolução tecnológica, o médico ressalta que a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir lesões e preservar a saúde das articulações ao longo da vida.
“O atleta profissional conta com equipe multidisciplinar, preparação física e acompanhamento constante. O atleta recreativo precisa entender que prevenção também faz parte do jogo. Cuidar da saúde articular hoje é o que permite continuar praticando esporte com qualidade de vida no futuro”, conclui.