ACIDENTE EM SALTO

Jovem morre após ser lançada de ponte sem corda em Limeira

Três pessoas tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva; caso ocorreu na trilha da Ponte do Esqueleto

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/06/2026 às 20:32
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu no sábado, 13, em Limeira, no interior de São Paulo, após ser lançada de uma ponte sem a corda de proteção. Ela participava de uma atividade de rope jumping, esporte radical semelhante ao bungee jumping, na trilha da Ponte do Esqueleto.

A corda que deveria estar presa ao corpo de Maria Eduarda foi esquecida no chão. Em um vídeo que circula nas redes sociais, a vítima aparece sendo carregada de bruços por dois instrutores, enquanto um terceiro acompanha a ação. Pouco antes do lançamento, uma pessoa fora das imagens pergunta: "É a corda né?".

Após a jovem ser jogada da ponte, a pessoa que grava o vídeo grita: "Gente, a corda!". Em seguida, a testemunha filma o equipamento de proteção que permaneceu no chão.

No bungee jump, a corda é presa aos pés da pessoa e provoca um efeito semelhante ao de um "iôiô". No rope jump, a pessoa fica presa por cordas na cintura e no peitoral, permanecendo em posição semelhante à de estar sentada durante o salto.

Na manhã de sábado, antes da atividade, Maria Eduarda publicou uma sequência de stories em que mostrou pulseiras de identificação e o local do salto. "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?", escreveu em tom de brincadeira.

Em entrevista à EPTV, afiliada da Globo em Campinas, Higor Diniz, que presenciou a morte da jovem, afirmou que ela não passou pela inspeção de segurança. Segundo ele, várias pessoas acompanharam a queda, incluindo crianças de 6 anos.

Diniz relatou que as cordas dos saltos anteriores haviam sido verificadas. "Em todos os outros casos, os instrutores puxaram a corda e viram se estava tudo certo. No dela, que era essencial, não fizeram isso. Até crianças de 6 anos a viram ser arremessada. Foi uma cena forte. Todos ficaram em pânico", disse.

Investigação do caso

Seis pessoas foram levadas ao Distrito Policial de Limeira para prestar esclarecimentos. Três delas permaneceram detidas. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os detidos têm 27, 32 e 42 anos e foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando não há intenção direta de matar, mas se assume o risco.

No domingo, 14, a Justiça converteu em preventiva a prisão dos três detidos em flagrante. A prisão preventiva não tem prazo determinado e pode ser mantida enquanto as autoridades judiciárias considerarem necessário.

Segundo a SSP, as investigações continuam para apurar as circunstâncias do caso e eventuais responsabilidades.

Especialista aponta erro na operação

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, Marco Antônio de Campos, classificou o caso como "um erro grotesco" e afirmou que os instrutores "esqueceram metade da operação". Segundo ele, que conhece e opera comercialmente no local do salto, o protocolo tradicional é conduzir a pessoa andando pela plataforma para que ela mesma salte.

O especialista disse que chamou atenção o fato de a jovem ter sido carregada pelos braços e arremessada pelos instrutores. "A gente não joga o cliente assim. A gente faz isso com amigos e instrutores que conhecemos e já saltaram várias vezes", explicou Campos.

Prefeitura de Limeira diz que acionará o governo federal

A Prefeitura de Limeira informou que vai processar o governo federal por omissão no caso. Em nota, a gestão municipal afirmou que vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências de órgãos federais desde o início de 2025. Por meio da Câmara Municipal, o município disse que encaminhou ofícios solicitando medidas de segurança.

"Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias", afirmou o prefeito Murilo Félix (Podemos). "Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira", acrescentou.

No comunicado, a prefeitura declarou que a tragédia "torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão". A gestão municipal também informou que garantiu apoio à Polícia Civil durante as investigações e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.

Ao Estadão, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamentou "a morte trágica de uma jovem durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto".

A secretaria informou que a ponte "pertencia a trecho não implantado do ramal da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares" e que "a transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026".

Velório

O velório de Maria Eduarda ocorreu na manhã de domingo, 14. Valdinei Barbosa, que foi professor de Educação Física da jovem na Escola Estadual Terezinha Polloni, em Jandira, na Grande São Paulo, compareceu à cerimônia e conversou com a imprensa.

De acordo com o professor, Maria Eduarda ajudava a organizar jogos interclasses na escola e desejava ser professora de educação física. "Era uma pessoa muito ativa e infelizmente foi vítima dessa tragédia", afirmou.

A jovem trabalhava na academia Panobianco Silverstone. Em nota publicada nas redes sociais, a unidade lamentou a morte de Maria Eduarda e afirmou que ela "foi mais do que uma colaboradora, foi exemplo de dedicação, comprometimento, alegria e respeito". A academia permaneceu fechada no domingo em sinal de luto.