Três suspeitos têm prisão preventiva decretada após morte em salto de rope jump
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu em Limeira após não ser conectada corretamente aos equipamentos de segurança
A Justiça decretou a prisão preventiva de três homens suspeitos de envolvimento na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A jovem morreu no sábado, 13, em Limeira (SP), após ser lançada de uma altura de 40 metros durante uma prática de salto à corda, modalidade de salto com corda, na Ponte do Esqueleto.
De acordo com as informações do caso, Maria Eduarda não foi devidamente conectada aos equipamentos de segurança. A prisão preventiva não tem prazo determinado e pode ser mantida enquanto as autoridades judiciárias considerarem necessário.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, as investigações para esclarecer as explicações da morte e apurar possíveis responsabilidades.
Os três homens, de 27, 32 e 42 anos, foram presos em flagrante no sábado (13) e indiciados pela Polícia Civil por homicídio com dolo eventual, quando não há intenção direta de matar, mas se assumem o risco.
Além deles, outros dois homens e uma mulher aparecem no boletim de ocorrência como investigados. Eles foram ouvidos pela Polícia e liberados em seguida. Conforme o registro, inicialmente não havia rumores de participação direta deles nos fatos que resultaram na morte da jovem.
A corda que deveria estar presa ao corpo de Maria Eduarda foi esquecida no chão. Em vídeos gravados por pessoas que acompanhavam o salto e publicados nas redes sociais, é possível ver três homens carregando um jovem.
Após ela ser erguida, um dos homens fica atrás, observando, enquanto os outros dois seguem por uma estrutura metálica. A corda estava enrolada no chão, atrás deles. Quando Maria Eduarda é lançada, as pessoas que aguardavam o salto perceberam a ausência do equipamento e se desesperaram.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou parada cardiorrespiratória e óbito no local.
Na manhã do sábado, 13, Maria Eduarda publicou uma sequência de stories no Instagram mostrando pulseiras de identificação e o local da atividade. Ainda segundo o boletim de ocorrência, ela usava uma câmera acoplada ao corpo para filmar o salto. Os policiais fizeram buscas no local, mas não conseguiram localizar o equipamento.
Atividade era feita por empresas privadas
Os instrutores que aparecem nas imagens usam camisas com os nomes das empresas Entre Cordas e Ih Voei. As contas no Instagram das duas empresas não estão mais disponíveis. Juntos, eles tinham cerca de 100 mil seguidores.
Os saltos, inclusive com crianças, foram registrados e compartilhados nas redes sociais. Em dezembro de 2025, o salto com a Entre Cordas custou R$ 130.
Prefeitura acusa governo federal de omissão
A Prefeitura de Limeira informou que vai processar o governo federal por omissão. Em nota, a gestão municipal afirmou que vinha adotando medidas administrativas e cobrando exceções dos órgãos federais desde o início de 2025.
Por meio da Câmara Municipal, o município declarou que encaminhou oficiais solicitando medidas de segurança. No comunicado, a prefeitura afirma que a tragédia “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa missão”.
A administração municipal também informou que garantiu apoio à Polícia Civil no curso das investigações e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
Ao Estadão, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), afirmou que a ponte “pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares” e que “a transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026”.
O órgão informou ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.