PESQUISA ELEITORAL

Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro em simulação de 2º turno, aponta Quaest

Levantamento indica recuo do senador no Sudeste e entre jovens, mulheres, evangélicos e eleitores de maior renda

Por Sputnik Brasil Publicado em 14/06/2026 às 05:13
Legenda não informada no material original. © AP Photo / Eraldo Peres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu seis pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um cenário de segundo turno, segundo pesquisa Quaest.

De acordo com o levantamento, Lula aparece com 44%, enquanto Flávio registra 38%. Desde março, os dois pré-candidatos vinham em situação de empate técnico, mas o resultado de junho aponta mudança no cenário, associada a alterações regionais e demográficas relevantes.

O detalhamento da pesquisa indica que a perda de apoio do senador ocorreu em segmentos considerados decisivos, especialmente no Sudeste, entre jovens, mulheres, evangélicos e eleitores de renda mais alta.

Entre os principais fatos políticos registrados entre as duas rodadas está a revelação da relação financeira entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro. Segundo o texto original, Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões ao senador para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

No mesmo período, os Estados Unidos, sob Donald Trump, classificaram o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e elevaram tarifas sobre produtos brasileiros. As medidas foram anunciadas após visita de Flávio a Trump e a autoridades norte-americanas, entre elas o secretário de Estado, Marco Rubio.

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a queda de Flávio é mais acentuada do que o avanço de Lula. No Sudeste, onde o senador já liderou por 12 pontos, o cenário agora é de empate técnico com o presidente, que mantém tendência de alta desde abril.

No agregado Centro-Oeste/Norte, Flávio oscilou oito pontos para baixo e viu desaparecer a vantagem de 14 pontos que tinha sobre Lula, resultando também em empate técnico.

Nos recortes por idade, Lula passou a liderar numericamente em todas as faixas. A mudança mais expressiva ocorreu entre eleitores de 16 a 34 anos, único grupo em que Flávio mantinha vantagem até maio. Nas demais faixas etárias, o presidente preservou ou ampliou sua posição, enquanto o senador teve pequenas quedas.

Entre as mulheres, a vantagem de Lula aumentou após os acontecimentos de maio. Já entre os homens, Flávio ainda aparece numericamente à frente, mas a diferença caiu de oito pontos para um, dentro da margem de erro.

Entre os evangélicos, grupo apontado como um dos pilares do bolsonarismo, Flávio perdeu nove pontos em um mês. Apesar de continuar liderando nesse segmento, sua vantagem sobre Lula caiu de 37 para 21 pontos.

Os recortes por renda e escolaridade também mostram movimentos desfavoráveis ao senador. Entre os eleitores que recebem de dois a cinco salários mínimos, a vantagem passou a ser de Lula. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, Flávio caiu de 51% para 46%.

Na escolaridade, Lula lidera entre eleitores com Ensino Fundamental e alcançou empate técnico entre os que cursaram Ensino Médio e Superior. Neste último grupo, Flávio perdeu 12 pontos de vantagem em um mês.

Para Felipe Nunes, a mudança não é resultado de um crescimento expressivo de Lula, mas de uma perda de tração de Flávio Bolsonaro entre segmentos independentes, que não se identificam necessariamente com o lulismo. Segundo ele, acompanhar esses grupos nas próximas rodadas será essencial para avaliar se há uma mudança estrutural no comportamento de eleitores menos alinhados ideologicamente.

Por Sputinik Brasil