INVESTIGAÇÃO

Laudo privado sobre filme de Bolsonaro não detalha gastos feitos nos EUA

Perícia contratada pela Go Up Entertainment aponta custo de US$ 13,4 milhões na produção de “Dark Horse”, segundo o Metrópoles

Por Sputnik Brasil Publicado em 13/06/2026 às 17:45
© AP Photo / Silvia Izquierdo

A perícia privada contratada pela produtora Go Up Entertainment apontou que o filme “Dark Horse”, produzido em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teve custo total de US$ 13,4 milhões, cerca de R$ 75 milhões.

O valor representa 56% dos R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro, dono do extinto banco Master, teria combinado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de transferir para o fundo usado na captação dos recursos da produção. O fundo, Havengate Development LP, é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos.

Os resultados da perícia foram anexados ao inquérito policial que apura a suspeita de uso de verbas públicas na produção do filme. A investigação envolve possíveis desvios em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment.

Com a perícia preventiva, a defesa de Gama busca se antecipar ao trabalho da polícia e sustentar que não houve uso de recursos públicos no filme.

Segundo noticiou o portal Metrópoles, o documento informa que a maior parte do montante, US$ 9,6 milhões, o equivalente a R$ 54,2 milhões, refere-se a custos de produção nos Estados Unidos. O restante, US$ 3,7 milhões, cerca de R$ 20,9 milhões, foi destinado aos trabalhos realizados no Brasil, incluindo produção e filmagem.

A perícia registra que o Havengate Development LP enviou, até 10 de junho, R$ 75 milhões para o filme. Os valores teriam sido recebidos no Brasil por meio de uma conta no Banco do Brasil, sendo a maior parte, R$ 20,9 milhões, por transferência via Pix.

“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto têm origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, aponta o documento.

O laudo afirma que o valor gasto no Brasil inclui contratação de atores internacionais, cachês, diárias, transporte, cenografia e passagens aéreas, além de apresentar a descrição técnica de cada etapa.

No entanto, de acordo com o Metrópoles, os gastos realizados nos Estados Unidos aparecem de forma genérica, sem o detalhamento de cada etapa. Por isso, segundo o portal, a perícia não esclareceu totalmente o uso da verba de R$ 75 milhões.

Após a divulgação do acordo entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro para financiar o filme, a Polícia Federal investiga se a verba do banqueiro foi usada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou neste sábado (13), em entrevista ao jornal O Globo, que o caso envolvendo o financiamento do filme pode gerar impacto eleitoral e desgaste político para o campo bolsonarista. Ele também citou a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

“O áudio do Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro é factual, não é hipótese. A relação que ele demonstra ali é de intimidade”, afirmou Edinho.