JUSTIÇA

Advogado é condenado no Maranhão por apropriação de valores de clientes vulneráveis

Sentença aponta levantamento de 25 alvarás e acordos envolvendo idosos, analfabetos e indígenas da etnia Guajajara

Por Estadao Conteudo Publicado em 13/06/2026 às 14:30
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Uma ação penal movida pelo Ministério Público do Maranhão, por meio da Promotoria de Justiça de Arame, resultou na condenação do advogado Wender Lima de Lima a sete anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo crime de apropriação indébita majorada pelo exercício da profissão.

A sentença foi assinada pelo juiz Calleb Mariano Ribeiro, que responde pela Vara da Comarca de Arame, município com 25 mil habitantes localizado a 476 quilômetros da capital São Luís.

O Estadão informou que busca contato com a defesa. O espaço está aberto.

Wender Lima de Lima também foi denunciado pelos crimes de falsidade ideológica e fraude processual qualificada. Por esses delitos, recebeu pena adicional de onze meses de detenção.

O juiz determinou ainda o pagamento de R$ 207.866,50 a título de reparação mínima por danos materiais causados às vítimas atingidas pelas condutas ilícitas.

A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo, responsável pela Promotoria de Arame.

De acordo com o Ministério Público do Maranhão, o advogado aproveitou-se da atividade profissional para levantar 25 alvarás judiciais e homologações de acordos de clientes em situação de hipervulnerabilidade, entre eles pessoas idosas, analfabetos e indígenas da etnia Guajajara.

As investigações apontaram que ele realizou saques em espécie e transferências dos valores diretamente para suas contas bancárias, retendo integralmente o dinheiro das causas e deixando os representados desamparados.

A acusação também sustentou que, após ser notificado pelo Ministério Público, Wender Lima de Lima teria tentado criar obstáculos à investigação ao apresentar oito Termos de Adimplemento ideologicamente falsos.

Segundo a denúncia, ele teria utilizado artifícios para colher assinaturas de testemunhas em folhas de papel totalmente em branco, sob a alegação de que seriam apenas protocolos do juízo em razão da pandemia. Posteriormente, os documentos teriam sido preenchidos com falsas declarações de quitação financeira para tentar induzir a Promotoria.

O promotor Felipe Rotondo afirmou que a atuação do Ministério Público buscou não apenas garantir a responsabilização penal do acusado por violações graves à ética e à lei penal, mas também proteger pessoas em severa condição de vulnerabilidade.

“O foco da instituição pautou-se na prevenção da revitimização e no respeito à integridade física, social e psicológica das pessoas lesadas”, afirmou o promotor.