OPERAÇÃO VÉRNIX

MP pede perda de bens e multa que podem somar R$ 75 milhões contra Deolane e Marcola

Denúncia do Gaeco aponta suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a transportadora em Presidente Venceslau

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/06/2026 às 18:48
Deolane Bezerra Reprodução / Instagram

O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a perda de bens de até R$ 65 milhões da advogada Deolane Bezerra Santos, de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de outros quatro réus em ação por lavagem de dinheiro e organização criminosa apresentada na quarta-feira, 10, por promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Os promotores também solicitaram que os acusados sejam condenados ao pagamento de multa de R$ 10 milhões por danos morais difusos.

O pedido integra a Operação Vérnix, investigação que apura um amplo esquema de branqueamento de ativos ligado a uma transportadora com sede em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A empresa é apontada como parte da estrutura financeira da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A defesa de Deolane Bezerra, conduzida pelo criminalista Aury Lopes Jr., e a de Marcola e seus familiares, representada por Bruno Ferullo de Rita, negam enfaticamente as acusações. “Não sou bandida”, afirma a influenciadora. Marcola, por sua vez, diz que não conhece Deolane.

Na denúncia, o Ministério Público pediu que a Justiça considere como produto ou proveito do crime a parcela do patrimônio dos acusados incompatível com os rendimentos lícitos obtidos no período investigado. Isso inclui bens adquiridos com recursos além das fontes legais de renda ou cuja origem lícita não possa ser comprovada.

Para calcular os valores que cada acusado teria obtido com o suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do PCC, a Promotoria solicitou perícias ao Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-DL), da Polícia Civil de São Paulo.

O mesmo setor do Departamento de Inteligência da Polícia (Dipol) já havia realizado trabalho semelhante sobre o patrimônio ilícito do traficante internacional André Oliveira Macedo, o André do Rap, o que resultou no sequestro de R$ 25,1 milhões em bens.

De acordo com o ranking de patrimônio ilícito apontado pelos promotores na página 335 da denúncia da Operação Vérnix, Deolane aparece em primeiro lugar. A advogada, detida em uma cela da Penitenciária de Tupi Paulista, a mais de 600 km da capital paulista, teria obtido bens de origem criminosa avaliados em R$ 27.002.774,72.

Em segundo lugar aparece Everton de Souza, o Player, também acusado de integrar o esquema de branqueamento de dinheiro da facção. Segundo a denúncia, ele teria acumulado R$ 9.400.655,21.

A lista aponta ainda Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, em terceiro lugar. Conforme o LAB-DL, ele teria movimentado R$ 8.595.618,26 em recursos sem origem lícita ligados ao esquema da transportadora de cargas de Presidente Venceslau.

Na quarta posição, o laboratório identificou que três acusados teriam dividido igualmente cerca de R$ 20,7 milhões: Marcola, seu irmão Alejandro Herbas Camacho Júnior e Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro. Cada um teria recebido R$ 6.918.285,28. Segundo os investigadores, Paloma está foragida na Espanha, enquanto Leonardo estaria na porção sul da Bolívia.

Além do perdimento de carros de luxo, imóveis, joias e outros bens, os promotores do Gaeco pediram que a 3.ª Vara Judicial de Presidente Venceslau condene os réus ao pagamento solidário de R$ 10 milhões por dano moral difuso.

Caso sejam condenados, Deolane, Marcola e os demais acusados poderão responder por prejuízo estimado em R$ 75 milhões, além de pena que pode chegar a 22 anos de prisão.