Lula cobra agilidade em programas e pede fiscalização de movimentos sociais
Presidente citou demora na execução de recursos e participou do anúncio de 85 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira, 12, a lentidão na implementação de políticas públicas do governo federal. A declaração foi feita no Palácio do Planalto, durante o anúncio da seleção do programa Minha Casa, Minha Vida nas modalidades Rural e Entidades, ao lado do presidente da Caixa, Carlos Vieira.
Ao comentar a execução de recursos, Lula citou a dificuldade para fazer os projetos avançarem. "Nós aprovamos esses dias R$ 30 bilhões para reforma de casas. Sabe o que acontece? Desde novembro, nós ainda não gastamos nem R$ 1 bilhão. Ou seja, que dificuldade está tendo? Vocês têm o dinheiro, têm a decisão, têm a vontade e as coisas não acontecem", afirmou.
No evento, foi anunciada a seleção de 85 mil unidades habitacionais, sendo 35 mil na modalidade Entidades e 50 mil no MCMV Rural. O investimento previsto é de R$ 10 bilhões do Fundo de Desenvolvimento Social.
Lula disse que determinou à Advocacia-Geral da União (AGU) que identifique "todas as dificuldades" na execução dos projetos, com a finalidade de elaborar uma legislação capaz de resolver os entraves.
O presidente também pediu que a população e os movimentos sociais sigam cobrando o governo federal quando os programas não forem executados de forma adequada.
"Eu só quero que vocês saibam que não basta a gente avisar as coisas aqui. É preciso a gente avisar e vocês não pararem de fiscalizar e denunciar se as coisas não acontecerem. (...) Vocês são o farol que vai fazer com que esse governo cumpra cada palavra que ele prometeu durante todo o seu mandato", declarou Lula.
Durante a cerimônia, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez uma brincadeira ao dizer que, se o presidente da Caixa, Carlos Vieira, facilitar processos para movimentos sociais no banco público, será conhecido como "banqueiro vermelho".
"O Carlos cumprindo tudo isso, eu tenho certeza que os movimentos sociais vão dar para ele o título de 'banqueiro vermelho' desse País", afirmou Boulos, em tom humorado.