INVESTIGAÇÃO

Câmeras registram criança de 4 anos em banheiro masculino na sede do Palmeiras

Polícia Civil apura denúncia de estupro de vulnerável; suspeito de 74 anos foi suspenso pelo clube e nega as acusações

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/06/2026 às 17:28
Reprodução / Instagram

Imagens de câmeras de segurança da sede social do Palmeiras, na região de Perdizes, zona oeste de São Paulo, registraram o momento em que uma criança de quatro anos entrou no banheiro masculino na última quarta-feira, 10, e permaneceu no local por pelo menos 15 segundos.

A Polícia Civil investiga uma denúncia de estupro de vulnerável nas dependências do clube. As informações sobre as imagens constam no boletim de ocorrência do caso, ao qual o Estadão teve acesso.

O suspeito, de 74 anos, foi suspenso pelo Palmeiras. O clube informou que colabora com as investigações e que encaminhou às autoridades o material obtido por meio das câmeras de segurança.

Em nota, os advogados do investigado afirmaram que ele nega integralmente as acusações. A defesa informou ainda que requereu acesso aos procedimentos instaurados para exercer plenamente o direito de defesa e apresentar os esclarecimentos necessários.

A mãe da criança prestou depoimento na noite do mesmo dia na 4ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher (DDM - Norte) e também acionou a Polícia Militar.

Segundo o boletim de ocorrência, a mulher relatou à polícia que perdeu a criança de vista enquanto aguardava o fim da atividade de futebol do filho.

“Ao perceber sua ausência, passou a chamá-la em voz alta, sendo que pouco depois a menor retornou vindo da direção dos banheiros”, descreve o registro policial.

Ainda conforme o relato, ao ser questionada sobre onde estava, a criança disse que se tratava de um “segredo” e afirmou que havia estado no banheiro masculino.

A mãe disse à polícia que, diante da situação, levou a criança para um local mais reservado e voltou a perguntar sobre o ocorrido. Segundo ela, a menina continuou dizendo que era um “segredo”.

Ao chegarem em casa, a mãe reforçou que ali não havia segredos e insistiu para que a criança contasse o que havia acontecido. Nesse momento, segundo o boletim, a menina afirmou: “o vovô colocou a mão lá”.

A mulher relatou também que, ao dar banho na criança, percebeu “presença de secreção em sua região íntima, circunstância que lhe causou estranheza por não ser algo habitual”.

O boletim aponta que, quando a mãe voltou ao clube para que a criança recebesse acolhimento da equipe de enfermagem da instituição, funcionários da segurança verificaram as imagens do sistema de monitoramento.

De acordo com o registro policial, os funcionários informaram que a menina efetivamente entrou no banheiro masculino e permaneceu no local por aproximadamente 15 segundos.

O suspeito de levá-la até o banheiro seria um frequentador antigo do clube, que acompanha o neto nas atividades. Segundo a mãe, ele tinha o hábito de oferecer pipoca para atrair a atenção das crianças, o que também teria ocorrido naquela quarta-feira.

A criança foi encaminhada para exames no Instituto Médico-Legal. O caso é investigado pelo 3º DDM (Oeste).

Em nota, o Palmeiras informou que foi procurado pela mãe da criança para relatar um caso de abuso dentro das dependências da sede social. Segundo o clube, um médico atendeu a menina e advogados foram colocados à disposição para acompanhar a família durante o depoimento à polícia.

A presidente do clube, Leila Pereira, determinou a suspensão imediata do associado suspeito de envolvimento no caso. Ainda de acordo com o Palmeiras, ele será expulso do quadro associativo caso a autoria do crime seja comprovada.

“O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente esclarecidos”, afirmou o clube, em nota oficial.

Os advogados do associado afirmaram que ele só tomou conhecimento das acusações após a divulgação da nota pelo Palmeiras. A defesa ressaltou que os procedimentos tramitam sob sigilo e que “eventual divulgação indevida de informações pessoais ou de dados protegidos será objeto das medidas judiciais cabíveis”.

“Após ter acesso integral aos elementos constantes dos procedimentos, o associado se manifestará oportunamente nos autos”, acrescentou a defesa, em nota. Segundo os advogados, o cliente está à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos.