ECONOMIA GLOBAL

Bundesbank corta previsão para o PIB alemão e vê inflação mais alta

Banco central alemão cita efeitos da guerra no Oriente Médio sobre energia, consumo e atividade econômica

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/06/2026 às 14:57
Para Bundesbank, Reprodução

O Bundesbank reduziu suas projeções para o crescimento da economia alemã e elevou as estimativas de inflação para este ano e para 2027. A instituição atribui a revisão aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia e sobre a atividade econômica.

Apesar da piora no cenário de curto prazo, o banco central alemão avalia que a recuperação da maior economia da Europa deve ganhar força de forma gradual, com apoio principalmente de uma política fiscal expansionista.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 12, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou que a guerra tem pesado sobre a economia da Alemanha e deve atrasar a retomada iniciada no inverno europeu. Ainda assim, ele destacou que os estímulos fiscais devem evitar uma contração da atividade no segundo semestre.

“A atividade econômica ganhará tração novamente ao longo do nosso horizonte de projeção até 2028”, afirmou Nagel.

O banco central passou a estimar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ajustado por calendário de 0,5% em 2026 e de 0,8% em 2027. As previsões anteriores, divulgadas em dezembro, eram de 0,6% e 1,3%, respectivamente. Para 2028, a projeção foi elevada de 1,1% para 1,4%.

Segundo o Bundesbank, a alta dos custos de energia reduz o poder de compra das famílias. As empresas, por sua vez, enfrentam gargalos de oferta, demanda mais fraca e maior incerteza. A instituição espera que os preços do petróleo recuem significativamente até 2028, conforme diminuam os efeitos do conflito.

Na inflação, a revisão foi mais intensa. A estimativa para o índice harmonizado de preços ao consumidor subiu para 2,9% neste ano e 2,7% em 2027. Em dezembro, as projeções eram de 2,2% e 2,1%, respectivamente. Para 2028, a expectativa é de retorno da inflação a 1,9%.

Nagel disse que o choque de oferta causado pela guerra no Oriente Médio tem se mostrado “forte e persistente”. Ele alertou que uma nova alta acentuada dos preços de energia poderia ampliar a inflação e enfraquecer a atividade econômica.

O presidente do Bundesbank também ressaltou que as novas projeções estão cercadas por um grau “particularmente elevado” de incerteza, em razão do cenário geopolítico.