SAÚDE

Olhos ardendo e visão embaçada? Tempo seco pode estar por trás do problema

Baixa umidade do ar afeta a proteção natural dos olhos e aumenta a procura por atendimento oftalmológico durante a estiagem

Por Assessoria Publicado em 12/06/2026 às 09:10
A chegada dos meses mais secos do ano costuma trazer um aumento nas queixas relacionadas à saúde ocular Divulgação

A chegada dos meses mais secos do ano costuma trazer um aumento nas queixas relacionadas à saúde ocular. Ardência, coceira, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e até visão embaçada estão entre os sintomas mais frequentes relatados por pacientes durante o período de baixa umidade do ar.

O cenário é comum em várias regiões do Brasil, especialmente no Centro-Oeste. Segundo orientações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde e por órgãos de saúde brasileiros, a umidade relativa do ar considerada adequada para o organismo humano fica, em geral, entre 40% e 60%.

Quando os índices ficam abaixo de 30%, situação comum durante os períodos de estiagem em diversas regiões do país, aumentam os riscos de problemas respiratórios, irritação das mucosas e desconfortos oculares.

Segundo a oftalmologista Neiane Santos, da Clínica Vittá Goiânia, a lágrima exerce um papel fundamental para a qualidade da visão e sofre diretamente com o clima seco.

"A lágrima é a principal superfície refrativa do olho. Isso significa que ela é essencial para ajudar a luz a chegar na retina e nos permitir enxergar. Quando o tempo está seco, nossa lágrima evapora mais rápido, o que nos faz sentir o olho ressecado, produzir mais lágrima por reflexo e até ficar com a visão embaçada", explica.

Com a evaporação acelerada da lágrima, os olhos ficam menos protegidos contra agentes externos e passam a apresentar desconforto com mais frequência. Além da sensação de ressecamento, muitas pessoas relatam irritação constante ao longo do dia, principalmente em ambientes climatizados.

Cuidados simples ajudam a reduzir o desconforto

Especialistas recomendam atenção redobrada durante os períodos de baixa umidade. Pequenas mudanças de hábito podem contribuir para manter a superfície ocular mais hidratada.

Entre as medidas indicadas estão aumentar a frequência das piscadas, evitar exposição direta ao vento e ao ar-condicionado e utilizar colírios lubrificantes quando houver recomendação médica. "Para diminuir esses efeitos, devemos tentar piscar mais vezes, evitar ficar diretamente na frente do vento ou do ar-condicionado e utilizar colírios lubrificantes conforme a prescrição médica", orienta a médica.

Além das condições climáticas, o comportamento cotidiano também influencia a saúde dos olhos. O uso prolongado de celulares, computadores e tablets tem sido apontado como um dos fatores associados ao desenvolvimento da Síndrome do Olho Seco, já que reduz a frequência natural das piscadas.

A oftalmologista destaca, ainda, que pausas regulares durante o trabalho ou estudo podem ajudar a minimizar o problema.

"Ficar muito tempo na frente de telas é uma das causas de olho seco, pois diminuímos a quantidade de vezes que piscamos. Portanto, é importante fazermos pausas ao longo do dia, tentar piscar mais vezes e utilizar colírios lubrificantes conforme a prescrição médica."

Hábito comum pode causar lesões na córnea

A coceira é uma das principais consequências da irritação provocada pelo tempo seco. No entanto, esfregar os olhos pode agravar ainda mais o quadro.

Segundo Neiane Santos, o atrito repetitivo sobre a superfície ocular aumenta o risco de lesões e de algumas doenças que afetam a córnea. "Coçar os olhos provoca um atrito sobre o olho, principalmente na córnea, aumentando o risco de doenças, como abrasões corneanas, ceratite e ceratocone", orienta.

O aumento dos sintomas também se reflete na procura por atendimento especializado. De acordo com a médica, os meses entre maio e agosto concentram um volume maior de pacientes com queixas relacionadas ao ressecamento ocular. "Entre maio e agosto aumenta bastante a frequência de pacientes com olho seco ou com coceira nos olhos, principalmente no pronto-socorro."

Com a previsão de mais dias de baixa umidade ao longo do inverno, oftalmologistas recomendam atenção aos sinais persistentes de desconforto ocular e a busca por avaliação médica quando os sintomas se tornarem frequentes ou afetarem a rotina.

Oftalmologista Neiane Santos, da Clínica Vittá Goiânia