Países asiáticos ampliam influência global por meio do soft power
Especialistas apontam que produções culturais, língua e audiovisual ajudam a reduzir distanciamentos e ampliar novas perspectivas sobre a Ásia
Com o avanço das tecnologias digitais, países asiáticos passaram a ter mais condições de superar narrativas e representações historicamente construídas pelo Ocidente, registrando suas trajetórias a partir das próprias perspectivas, interesses e experiências.
À Sputnik Brasil, o professor de história da Ásia Emiliano Unzer, da UFES, afirmou que as nações projetam seu soft power por meio de elementos culturais e linguísticos, alcançando áreas diferentes daquelas relacionadas ao hard power.
“Você consegue transpor barreiras, não necessariamente por aviões nem por sanções econômicas. E nisso você consegue ter uma espécie de competição pelo campo afetivo, campo cognitivo, que as pessoas começam a receber e começam a processar”, disse.
A chegada de novas produções ampliou as opções de entretenimento e apresentou ao público perspectivas diferentes das oferecidas pelas obras ocidentais, especialmente em relação ao conteúdo, avalia Mayara Araújo, professora da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang.
A especialista cita a Coreia do Sul como exemplo. Segundo ela, outros mercados que também vêm ganhando destaque no mundo são o chinês e o indiano.
“A gente tem procurado um consumo mais diverso e tem se adaptado a ver novos corpos, principalmente em termos de audiovisualidade”, destacou Mayara.
Para Unzer, a aproximação com a cultura, a história e a língua contribui para reduzir barreiras importantes nas relações entre países.
“Quando você começa a ter proximidade maior com a familiaridade, com a história, com a cultura, com a língua, você já quebra uma das barreiras mais difíceis na diplomacia, que é o distanciamento, o estranhamento”, finalizou.
Por Sputnik Brasil