União direciona quase 1,9 mil imóveis sem uso para moradia, serviços e venda
Programa Imóvel da Gente prevê regularização fundiária, equipamentos públicos e destinação social de áreas federais
O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou nesta quinta-feira (11) que quase 1,9 mil imóveis da União estão em processo de destinação para regularização fundiária, em áreas urbanas e rurais, construção de moradias populares, implantação de equipamentos de saúde e educação e venda no mercado imobiliário, com o objetivo de compor um fundo de investimentos administrado pelo próprio governo.
As medidas integram o programa Imóvel da Gente, que se tornou uma ferramenta de mapeamento e destinação social de imóveis e áreas públicas federais.
Em evento no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, gestores municipais e movimentos sociais, foi apresentado um balanço das ações do programa desde 2023.
"Você pega o centro velho de São Paulo, o centro velho do Rio de Janeiro, de Salvador, de Recife, todas essas capitais, há muito tempo, têm prédios abandonados, casas abandonadas, lojas abandonadas. E muitas vezes são abandonadas com processos na Justiça", disse o presidente, ao explicar a ideia de buscar uma função social para áreas públicas ociosas.
De acordo com dados da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao MGI, as destinações feitas desde 2023 têm potencial para beneficiar cerca de 400 mil famílias, em todos os estados. Ao todo, as áreas destinadas somam mais de 18,5 mil quilômetros quadrados, cerca de três vezes o tamanho do Distrito Federal.
"A gente está transformando imóveis abandonados em moradias, em títulos de propriedade, em escolas, em hospitais, em oportunidades. O patrimônio da União voltou a cumprir sua função social e socioambiental e voltou a servir ao povo brasileiro", destacou a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
Titulação de bairros
Segundo a ministra, os imóveis não se limitam a casas ou apartamentos, mas incluem áreas extensas onde cabem bairros inteiros. À frente do programa de regularização fundiária, informou Dweck, a SPU cruzou dados e identificou 370 áreas da União com ocupação habitacional ainda não titulada.
Os processos são realizados em parceria com estados e prefeituras, responsáveis por atuar na urbanização do território, no parcelamento dos imóveis, na identificação das famílias e no registro em cartório.
Cerca de R$ 200 bilhões do PAC Periferia Viva, outro programa federal, estão sendo disponibilizados para custear a titulação, inclusive despesas cartoriais. Do total de 370 áreas, 129 já contam com parceria entre governo federal e municípios para viabilizar a regularização, informou Dweck.
A ministra também citou que, em cidades como Belém, cerca de 15 bairros poderão ter as casas completamente regularizadas em nome das famílias ocupantes a partir do programa. Cerca de 68 imóveis foram destinados a hospitais, unidades básicas de saúde e unidades de assistência social. Outros 141 imóveis, até então ociosos, estão sendo transferidos para a educação pública, incluindo 25 campi de institutos federais.
Destinação coletiva
Outra parceria semelhante viabilizou o repasse de 196 áreas da União para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Glebas federais com centenas de hectares, aeroportos abandonados e galpões em zonas urbanas, como os armazéns do antigo Instituto Central do Café, na Vila Carioca, no centro de São Paulo, também foram incluídos no programa.
Os galpões do antigo Instituto Central do Café estão na mira para destinação pelo governo desde 2009, ainda no segundo mandato presidencial de Lula. Durante a cerimônia desta quinta-feira (11), o presidente relatou sua relação com o local, próximo de onde viveu na infância.
"Isso para mim é um sonho, poder entregar ao povo da Vila Carioca esse armazém", disse Lula.
A destinação do imóvel ainda deve levar algum tempo. Após destravar o repasse da propriedade, um projeto arquitetônico para múltiplos usos da área deve ser apresentado e discutido diretamente com os moradores do bairro, por meio de consultas públicas. A ideia do governo é que o local funcione como um equipamento híbrido, com centro cultural e áreas de lazer.
Presente ao evento, o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o governo federal dá exemplo ao transformar "abandono em dignidade".
"Um dado que o movimento de moradia sempre reforçou é que, no Brasil, por uma herança histórica de desigualdade, a gente tem mais casa sem gente do que gente sem casa. Aliás, segundo o último censo do IBGE, são 11 milhões de imóveis ociosos e 6,2 milhões famílias sem casa no Brasil", observou.