Polícia Federal recusa segunda proposta de delação de Vorcaro
Corporação avaliou que o material apresentado pela defesa não trouxe novidades nem evidências para avançar em acordo de colaboração
A Polícia Federal (PF) rejeitou nesta quinta-feira (11) a segunda proposta de colaboração apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a corporação, o material encaminhado pela defesa não trouxe novidades ou evidências capazes de contribuir com a investigação e justificar o avanço de um acordo de colaboração. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro.
Em maio, uma primeira tentativa de delação já havia sido descartada. Na ocasião, a avaliação foi de que a proposta não acrescentava fatos inéditos e omitia pontos que os investigadores já conheciam.
A avaliação interna é de que o ex-banqueiro tenta ganhar tempo enquanto aguarda sinais do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre possíveis flexibilizações das medidas impostas a ele e à família. A Corte deve decidir nesta semana se o pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, continuará preso, o que aumenta a tensão em torno do caso.
Um dos temas que mais chamam atenção é o financiamento do filme "Dark Horse" (Azarão), que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro — preso e cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado. O assunto aparece entre os pontos incluídos por Vorcaro na nova proposta e poderia repercutir no cenário da próxima disputa presidencial.
Apesar da nova recusa, a lei permite que Vorcaro apresente outras propostas de colaboração.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele é acusado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de liderar uma organização criminosa, além de cometer lavagem de dinheiro, corrupção, ameaça e obstrução de justiça.
Vorcaro já havia sido detido em novembro do ano passado, quando tentava embarcar em um jatinho particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. Ele estava em prisão domiciliar.