PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Conpresp oficializa tombamento de prédio da Panamericana em Higienópolis

Imóvel projetado por Siegbert Zanettini é considerado marco da arquitetura pós-moderna paulistana

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 18:44
Reprodução / ESPM Panamericana

A Prefeitura de São Paulo publicou nesta quinta-feira, 11, a decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) que confirmou o tombamento do prédio da Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, na região central da capital paulista. A resolução saiu no Diário Oficial do município.

Em maio, a maioria dos conselheiros do Conpresp rejeitou o recurso apresentado pela Keeva Participações, proprietária do imóvel, que solicitava a reversão do tombamento aprovado em 2024. O edifício, apontado como marco da arquitetura pós-moderna em São Paulo, é uma obra do arquiteto Siegbert Zanettini.

A reportagem tenta contato com a Keeva. Em março, o representante da empresa informou ao Estadão que avaliaria recorrer à Justiça caso o recurso não fosse aceito.

A resolução publicada nesta quinta-feira reconhece como elementos de interesse do imóvel, em caso de futuras intervenções, a estrutura metálica principal, aparente tanto no interior quanto no exterior do edifício.

Também foram destacados os túneis-pontes em estrutura metálica cilíndrica; o arremate piramidal em estrutura metálica, acima do 4º pavimento, na esquina entre a fachada lateral e a fachada da Rua Pará; e as esquadrias em alumínio e vidro existentes em todas as fachadas do edifício.

O documento ainda cita as escadarias aberta e fechada, com estrutura metálica; os elevadores panorâmicos; e o painel-porta pivotante do salão de exposições, localizado no térreo.

No ato de tombamento, em 2024, o conselho reconheceu a "relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20".

O prédio se destaca pelo formato inusitado e pelo uso de cores vibrantes, como o vermelho, além de ter toda a estrutura em aço. Entre as soluções arquitetônicas estão lajes "cogumelo", treliças e cilindros metálicos semelhantes a uma fuselagem de avião vista por dentro.

O parecer de tombamento aponta a "estética high tech" do edifício, descrito como "um verdadeiro marco da arquitetura e design de São Paulo".

No recurso apresentado ao Conpresp, a Keeva incluiu um parecer do arquiteto Pedro Taddei Neto, que avaliou que o edifício não seria uma obra relevante. Segundo ele, o valor arquitetônico e histórico não seriam inéditos ou excepcionais, "tendo em vista que, datada de 1998, é uma obra tardia da geração das exoestruturas em aço".

O parecer também apontava que não haveria evidências do valor afetivo da obra para a população de São Paulo.

Entidades da sociedade civil, como o Movimento Defenda São Paulo, a Associação de Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (APPIT) e o Coletivo Pró-Higienópolis, se mobilizaram para que a proteção legal ao imóvel fosse mantida.

Outro prédio da Panamericana, também assinado pelo arquiteto Siegbert Zanettini e com características semelhantes, localizado na Rua Groenlândia, foi demolido em 2021, apesar da mobilização pela preservação.