MERCADO FINANCEIRO

Juros futuros recuam com expectativa de entendimento entre EUA e Irã

Contratos de DI fecharam em queda na B3 após Donald Trump relatar avanços nas negociações com Teerã

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 18:15
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Os juros futuros negociados na B3, que já operavam em queda desde a abertura, intensificaram o movimento de baixa na segunda metade do pregão desta quinta-feira, 11. No fim da tarde, os vértices intermediários recuavam quase 0,5 ponto, em sintonia com o mercado externo e com notícias mais favoráveis sobre o conflito no Oriente Médio.

A melhora adicional das taxas veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informar que cancelou ataques e bombardeios programados contra o Irã, previstos para esta noite, depois de avanços nas negociações com Teerã. Após a declaração, os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) atingiram mínimas intradia e seguiram retirando prêmios ao longo da sessão.

Também contribuíram para a descompressão novos relatos de Trump à mídia dos Estados Unidos sobre um acordo de paz com o país persa. Segundo ele, a tratativa está “praticamente concluída”. Em entrevista coletiva posterior, o republicano afirmou que os documentos serão finalizados nos próximos dias e que a assinatura deve ocorrer “em breve, talvez no fim de semana”.

Ao fim dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 caiu de 14,481% no ajuste da véspera para 14,31%. O DI para janeiro de 2029 passou de 14,968% para 14,505%. Já o DI para janeiro de 2031 recuou de 14,841% para 14,405%.

Apesar do alívio externo, agentes do mercado avaliam que o fechamento da curva local foi mais intenso do que o observado nos retornos dos Treasuries. Segundo profissionais, o movimento pode refletir correções após o “exagero” das sessões recentes, quando os DIs chegaram a se aproximar de 15% e retiraram da curva as expectativas de calibragem adicional da Selic.

“Acho que estava muito esticado, com o pessoal querendo discutir aumento da Selic aqui. Isso é o fim da picada. Mas quando chegamos a essas discussões, é porque normalmente o preço exagerou”, disse um estrategista de uma grande tesouraria à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A possibilidade de redução de 0,25 ponto da taxa em junho, indicada pela curva a termo, voltou a ser majoritária, com 60% de probabilidade, ante cerca de 30% na quarta-feira, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg. A Selic terminal projetada para 2026 caiu de 15,05% na quarta para 14,80% nesta quinta. O patamar ainda embute algum ajuste para cima, já que o juro básico está em 14,50%.

O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, mantém a avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deve alterar a Selic na decisão da próxima quarta-feira. “Não há nenhum motivo que faça a gente ver um alívio a ponto de o Banco Central cortar. Muito pelo contrário”, afirmou. Ele citou a postura mais hawk de banqueiros centrais de países desenvolvidos, a atividade forte nos Estados Unidos e, no Brasil, o mercado de trabalho aquecido e dados de atividade acima do previsto, como a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Divulgada nesta quinta pelo IBGE, a PMS mostrou que o volume de serviços avançou 1,2% entre março e abril, já feitos os ajustes sazonais. O resultado foi o dobro da mediana de 0,6% dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast. “Era para a PMS ter feito preço na curva, porque veio muito acima do esperado, mas o dado foi completamente ignorado”, comentou Tavares. Para ele, a pesquisa reforçou, assim como a produção industrial, que o Banco Central tem um “desafio gigantesco” pela frente.

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