Ibovespa fecha em alta após sinalização de acordo preliminar no Oriente Médio
Índice avançou 1,71% nesta quinta-feira, mas falta de detalhes sobre o acordo limita novas altas
A sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que houve um acordo preliminar com o Irã e outros países do Oriente Médio para encerrar o conflito na região ajudou a devolver o apetite por risco aos investidores e contribuiu para a alta do Ibovespa nesta quinta-feira, 11. A ausência de clareza sobre os termos do entendimento, no entanto, ainda limita possíveis novos avanços do índice.
“É uma notícia que traz sinal de que os canais diplomáticos continuam ativos, apesar da escalada militar”, afirmou Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos.
Segundo ele, outros fatores também influenciam o desempenho da Bolsa, entre eles os preços do petróleo, a expectativa de inflação global e o fluxo de capital estrangeiro. No curto prazo, a tendência do Ibovespa é ficar “lateralizado ou ajustar um pouco para cima”.
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 1,71%, aos 171.497,24 pontos, próximo da máxima intradia, de 171.926,72 pontos, e distante da mínima da sessão, de 168.280,39 pontos. O volume financeiro foi de R$ 30,391 bilhões.
Boragini avalia que o índice deve voltar a subir quando investidores estrangeiros retomarem o interesse por aplicações no país. Para ele, isso deve ocorrer quando houver mais certeza sobre o fim das hostilidades entre Estados Unidos e Irã e à medida que forem concluídas as ofertas de capital de grandes empresas de tecnologia, entre elas a SpaceX, que vêm drenando recursos dos mercados.
Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, apontou outros fatores que precisam se ajustar para que a Bolsa brasileira volte a apresentar o desempenho dos meses anteriores.
“No cenário pré-guerra, tínhamos fluxo estrangeiro positivo, cenário eleitoral equilibrado e Brasil como um dos únicos países a ter corte de juros. A gente enfraqueceu nas três condições. Perdeu fluxo, cenário eleitoral ficou mais inclinado ao governo atual e cortes de juros sumiram. Haveria uma reprecificação com a melhora de cada uma dessas coisas”, disse.
Carlier também citou a queda nos preços do petróleo, que pode aliviar o quadro inflacionário, como um elemento favorável ao cenário de curto prazo. “O alívio vem de saber que estamos descartando cenários de preços mais altos, de maior estresse, que estão mais longe.”