CÂMBIO

Real lidera ganhos entre emergentes e dólar fecha a R$ 5,1016

Moeda americana recuou 1,37% nesta quinta-feira, com expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 17:56
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O dólar à vista fechou em queda de 1,37% nesta quinta-feira, 11, cotado a R$ 5,1016. Ao longo do dia, a moeda americana chegou a cair abaixo de R$ 5,10 e passou a acumular perda de 1,08% na semana.

Mesmo em um cenário de desvalorização global do dólar, o real teve o melhor desempenho entre os mercados emergentes. O movimento ocorreu em meio ao desmonte de posições defensivas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que cancelou ataques e bombardeios contra o Irã, antes previstos para esta noite.

O desempenho da moeda brasileira ganhou força com fluxo estrangeiro para a Bolsa, depois de Trump dizer que fez um ótimo acordo para encerrar a guerra até o fim de semana.

Pela manhã, o dólar chegou à máxima de R$ 5,182, alta de 0,18%. À tarde, atingiu a mínima de R$ 5,0921, recuo de 1,55%. No acumulado do ano, a divisa americana perde 7,06%, mas ainda registra alta de 1,16% em junho.

Por volta das 17h, o contrato futuro para julho caía 1,62%, a R$ 5,124. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, recuava 0,30%.

A alta do dólar pela manhã foi pontual. A moeda passou a cair com a expectativa de juros elevados por mais tempo, o que sustenta fluxo para o real por meio de operações de carry trade.

A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, avaliou que a pesquisa mensal de serviços (PMS) mais forte do que o esperado aumenta a pressão sobre os juros no Brasil e favorece o real, por causa do diferencial de juros.

O fôlego da moeda brasileira, porém, ficou mais intenso após Trump publicar, na Truth Social, que decidiu suspender a operação militar no Irã, antes programada para esta noite, diante do avanço das negociações com o país persa. Na publicação, o republicano também afirmou que um acordo prévio havia sido aprovado pela liderança iraniana.

Irã e Israel negaram a existência do acordo, em meio a desencontros de narrativas. Ainda assim, a recuperação do real se manteve. “O mercado financeiro tinha medo de ter mais uma troca de fogo entre EUA e Irã e de que o cessar-fogo realmente acabaria. Então independente de ter um acordo concreto, a sinalização de que não haverá mais uma escalada foi importante”, avaliou o economista do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca.

Segundo Kawauti, a percepção de que os Estados Unidos não farão um novo contra-ataque forte reduziu o prêmio de risco global e voltou a atrair recursos para o Brasil. A mínima do dólar ocorreu em sintonia com a máxima da Bolsa e com um recuo mais expressivo dos juros futuros.

Por volta das 16h30, a valorização do real ganhou mais força após Trump reforçar que teria feito um ótimo acordo para encerrar a guerra e prometer finalizar os documentos nos próximos dias. A CBS News também informou que um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã provavelmente será assinado no início da próxima semana.

“Volta um cenário de risk-off no sentido de entusiasmo maior. Mas ainda há dúvidas sobre se é um fim permanente do conflito”, comentou o diretor global de FX e derivativos listados da Hedgepoint Global Markets, Guilhermo Marques. Ele observou que o dólar teve uma alta considerável nas últimas três semanas, ainda não totalmente corrigida no pregão desta quinta-feira.

O operador de câmbio da AGK Corretora, Fernando César, avaliou que, enquanto a situação no Oriente Médio não for resolvida de forma totalmente conclusiva, com a assinatura do acordo, o câmbio pode continuar volátil.

Além de um noticiário mais benigno e otimista em torno de um alinhamento entre Estados Unidos, Israel e Irã, César considera que pode ter ocorrido fluxo de venda de posição de exportadores que haviam aproveitado a alta da moeda americana mais cedo.