ECONOMIA INTERNACIONAL

FMI corta previsão de crescimento da zona do euro e vê inflação acima da meta

Relatório aponta impacto da guerra no Oriente Médio, alta da energia e possível necessidade de juros maiores pelo BCE

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 16:45
Fundo Monetário Internacional

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a zona do euro enfrenta novos desafios diante da guerra no Oriente Médio e da alta dos preços de energia. O cenário se soma a problemas já apontados pela instituição, como o envelhecimento populacional e o crescimento fraco da produtividade.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, 11, o FMI reduziu as projeções para a economia do bloco e alertou para o risco de uma combinação de inflação mais elevada e atividade econômica mais fraca.

Segundo o Fundo, a guerra representa um choque negativo de oferta considerado “grande, mas temporário”, com efeitos sobre a confiança e as condições financeiras. A estimativa de crescimento da zona do euro foi cortada para 0,9% em 2026 e 1,2% em 2027, respectivamente 0,5 e 0,2 ponto porcentual abaixo das projeções anteriores ao conflito.

A previsão para a inflação cheia também foi revista. Para este ano, passou de 2% para 2,8%. Para o próximo, subiu de 1,9% para 2,3%. De acordo com o relatório, os preços devem permanecer acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE) até 2028.

O FMI destacou que os riscos continuam inclinados para um crescimento mais fraco e uma inflação mais alta, especialmente se o choque energético durar mais tempo ou se ocorrerem novas interrupções na oferta de energia.

Diante desse quadro, a instituição afirmou que a taxa de juros do BCE precisará subir para limitar os efeitos do choque energético sobre os preços. O cenário-base do FMI considera uma alta acumulada de 50 pontos-base em 2026 em relação ao nível anterior à guerra.

O relatório também aponta que uma postura “ligeiramente mais restritiva” poderá ser necessária para evitar que o aumento dos custos de energia se espalhe para outros preços e para assegurar um retorno mais rápido da inflação à meta.

No campo comercial, o FMI citou que acordos amplos e com compromissos profundos, como os negociados pela União Europeia (UE) com Mercosul e Índia, podem ampliar o comércio bilateral, diversificar relações econômicas e apoiar o crescimento da região em um ambiente global mais fragmentado.