ACOLHIMENTO

Casa do Autista reúne mais de 80 obras de arte popular em Maceió

Peças de artistas e artesãos alagoanos integram ambientes da unidade e são usadas como estímulo sensorial e cultural

Por Prefeitura de Maceió Publicado em 11/06/2026 às 15:55
Acervo de arte popular alagoana integra ambientes da Casa do Autista de Maceió David Silas/Ascom Maceió Saúde

Os corredores e salas da Casa do Autista de Maceió passaram a reunir, além do atendimento especializado, um acervo com mais de 80 obras de arte popular alagoana. As peças foram incorporadas aos ambientes da unidade para tornar os espaços mais acolhedores e aproximar os assistidos das tradições culturais do estado.

Produzidas por artistas e artesãos alagoanos, as obras estão presentes em áreas de convivência e circulação. A proposta é humanizar o ambiente terapêutico, fortalecer o vínculo com a cultura local e estimular a observação, a curiosidade e o contato com diferentes formas de expressão artística.

O acervo inclui Cactos de Madeira, Passarinhos da Ilha do Ferro, Boi Bumbá, Casal de Guerreiros, Pedidora de Abraços, a obra A Sereia, retratos em filé e cerâmicas decorativas de parede. Entre os nomes presentes estão Lucas, Genauro, Jailton e Jamile, da Ilha do Ferro, além de Mércia, Maria Amélia, Boioiô, as Rendeiras do Pontal e outros representantes do artesanato alagoano.

Ao lado de cada peça, os visitantes encontram uma identificação com informações básicas sobre a obra. Também há um recurso complementar que permite acessar conteúdos mais detalhados sobre o contexto cultural, as técnicas utilizadas e a trajetória do artista responsável pela criação.

Para o arquiteto Alisson Melo, um dos responsáveis pela concepção dos ambientes, a presença da arte reforça o pertencimento e a valorização da cultura local. "A escolha por obras de artistas e artesãos alagoanos veio do propósito de valorizar a nossa cultura. Cada peça presente aqui contribui para enriquecer o ambiente com cores, formas, texturas e narrativas que despertam a curiosidade, estimulam a observação e fortalecem o sentimento de pertencimento. É uma forma de mostrar que a arte e a cultura também podem fazer parte do cuidado, da inclusão e da construção de vínculos com a nossa terra", disse.

A diretora-geral da Casa do Autista, a neuropsicóloga Fabiana Lisboa, afirma que a composição visual dos espaços pode contribuir para o desenvolvimento dos assistidos. "As cores, as formas e os elementos presentes nas obras de arte funcionam como estímulos importantes para a percepção e para a construção de repertório. Quando inseridos em um ambiente planejado e acolhedor, esses recursos podem favorecer a atenção compartilhada, incentivar a comunicação, despertar interesses e promover experiências sensoriais enriquecedoras. Além disso, o contato com referências culturais do próprio território fortalece a identidade e o sentimento de pertencimento das nossas crianças e adolescentes", detalhou.

Entre os benefícios esperados com a iniciativa estão a ampliação do repertório cultural dos usuários, o fortalecimento dos vínculos com a comunidade, o estímulo à curiosidade e à descoberta, o enriquecimento visual e sensorial dos ambientes e a valorização das tradições alagoanas pelas novas gerações.

A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A unidade adota um modelo que integra assistência especializada, inovação e humanização.

A diretora-presidente do Maceió Saúde, Camila Porciúncula, diz que a iniciativa está alinhada à visão ampliada de cuidado adotada pela instituição. "Cuidar é olhar para o indivíduo em sua integralidade. Ao incorporar a arte e a cultura ao ambiente terapêutico, criamos espaços mais acolhedores, capazes de promover bem-estar e fortalecer vínculos. Essa é uma diretriz que orienta o trabalho do Maceió Saúde, unindo gestão eficiente, inovação e sensibilidade para oferecer serviços públicos de saúde cada vez mais qualificados e humanizados", ressalta.

Camila também afirma que a experiência da organização na gestão do Hospital da Cidade contribui para novos projetos assistenciais no município. "O trabalho desenvolvido no Hospital da Cidade demonstrou que é possível alcançar excelência na saúde pública por meio de processos bem estruturados, uso responsável dos recursos e valorização das equipes. Hoje, o hospital é referência regional em qualidade assistencial, e trazemos esse mesmo compromisso para a Casa do Autista, respeitando suas especificidades e colocando sempre as necessidades dos usuários e de suas famílias no centro do cuidado", completa.

Veja como ter acesso

Para ter acesso aos serviços, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e apresentá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo.

Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.

Após a abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria faz a análise e a regulação dos casos. A prioridade é para crianças e adolescentes que ainda não estejam inseridos na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que estejam em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.

Depois da avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a Casa do Autista. Caso a demanda seja maior que a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, conforme critérios técnicos e de prioridade.