EDUCAÇÃO

Mizne defende gestão integrada e prioridade política para melhorar a educação

CEO da Fundação Lemann afirmou, durante o Brasil Adiante, que o País precisa de líderes obcecados em enfrentar os desafios educacionais

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 12:36
Denis Mizne

O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, defendeu nesta quinta-feira, 11, durante o Brasil Adiante, uma maior integração de informações entre os sistemas educacionais do País. Segundo ele, o governo federal deveria coordenar uma plataforma capaz de reunir dados de matrículas, estudantes e professores. “Tinha que ter o Pix da gestão educacional”, afirmou.

Para Mizne, a iniciativa facilitaria a gestão das redes de ensino. Ele também destacou que já existem esforços em andamento nessa direção.

O Brasil Adiante é um projeto do Estadão voltado à apresentação de propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates segue até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão reunidas em um documento a ser entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A proposta é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.

Na avaliação de Denis Mizne, a superação dos problemas na educação depende de colocar a área como prioridade do próximo governo e até de “fanatismo” dos gestores. “Precisamos de líderes obcecados em resolver os problemas da educação”, afirmou. “Vontade política não é um traço fixo. A gente pode mudar.”

Ao tratar do uso de tecnologia nas escolas, Mizne alertou que a inteligência artificial, sozinha, não resolverá os desafios educacionais. “A gente olha para esse negócio e pensa: ‘agora vai, o problema está resolvido’. E não vai”, disse. Segundo ele, para gerar resultados, a implementação da tecnologia precisa ser planejada com foco em impactos concretos na aprendizagem.

O especialista também avaliou que o programa de alfabetização do governo federal, que tem como meta a erradicação do analfabetismo até o final da década, não deve ser interrompido. Para Mizne, as metas da iniciativa precisam ser elevadas. Ele defendeu ainda que a proficiência em matemática seja estimulada tanto quanto a alfabetização.

Critérios mais duros na avaliação de cursos

Na avaliação do CEO da Fundação Lemann, o ensino técnico tem crescido rapidamente no País, impulsionado por incentivos financeiros e programas de estímulo à matrícula. Para Mizne, houve uma mudança importante na percepção das famílias e dos estudantes. “Esses jovens estão querendo concretudes”, afirmou.

Ele considerou o avanço positivo, mas ressaltou que o crescimento precisa ser acompanhado de critérios mais rigorosos. “Tem que ter critérios mais duros, avaliar com mais qualidade e garantir que o curso faz sentido e está sendo efetivamente entregue”, disse.