DEFESA FLUVIAL

Analista destaca atuação do Brasil na proteção de rios e águas interiores

Professor da Unemat comenta papel da Marinha, Operação ACRUX XII e riscos geopolíticos ligados aos cursos d’água

Por Sputnik Brasil Publicado em 11/06/2026 às 12:39
Analista comenta atuação do Brasil na proteção de rios e águas interiores © Flickr / Marinha do Brasil

Em meio às disputas geopolíticas por recursos naturais envolvidas potências como os Estados Unidos na América Latina, a estratégia de defesa brasileira tem ampliado o foco para além do controle marítimo. Recentemente, o Brasil liderou a Operação ACRUX XII, em Mato Grosso do Sul, com a participação de forças navais da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Nesse contexto, Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e analista de organizações militares, afirmou em entrevista à Sputnik Brasil que a defesa naval brasileira também atua de forma contínua nos rios do interior do país, inclusive em áreas remotas.

"A Marinha regula não só as águas costeiras, mas também as águas interiores do Brasil. Nós temos um distrito que fica na região de Corumbá. Ladário é uma base importante. Temos navios ali, inclusive navios armados, artilhados, que são colocados nesses rios e na região do Amazonas também, que fazem a segurança dessa região, indo até o Acre, Rondônia e a região mais distante do Amazonas", disse.

Segundo o especialista, a Operação ACRUX, que reúne forças de defesa de países sul-americanos, também funciona como instrumento de dissuasão contra movimentos que possam contestar a força do Estado. A edição mais recente ocorreu em abril, em Corumbá, no perímetro do Pantanal sul-mato-grossense, e contornou com mais de 700 militares.

“Mas essa operação, que é feita com forças de defesa, tem outros objetivos também, como impedir que uma força contestadora, um movimento de guerrilha, na região. No caso do PCC e do Comando Vermelho, pode ocorrer uma mutação no futuro, não é descartado esse tipo de atuação. Mas a questão da criminalidade é o que talvez mais interesse”, acrescentou.

ONGs estrangeiras também são apontadas como ameaças ao país

Modolo também afirmou que, embora os rios nem sempre sejam tratados como elementos centrais da geopolítica, eles têm grande importância. Para o analista, os cursos d'água reúnem fatores ligados a interesses globais, mesmo quando parecem ter apenas dimensão regional. Ele também citou a atuação de ONGs financiadas por organismos estrangeiros, que, segundo sua avaliação, difunde narrativas externas a importantes restrições à dinâmica local.

“Muita gente se esquece, aparentemente é simples: um rio não tem tanta importância em nível geopolítico. Mas quando se esmiúça, se leva em consideração vários pontos que vão se entrelaçar com o jogo da geopolítica global. Há uma questão da produção agrícola, a utilização para produção de energia, a segurança interna e a 'securitização' feita por ONGs internacionais que estão aí para exercer certas restrições”, destacou.

Para o professor, a presença e o trabalho dessas organizações devem ser supervisionados e relativizados. Ele apontou que considera uma incoerência na forma como essas entidades atuam nos países do Sul e do Norte Global.

"Nós temos, lógico, que o meio ambiente e levar em consideração que há crimes cometidos dentro do país, mas também que há uma legislação interna. Eu sempre vejo com cuidado o discurso dessas ONGs, que fazem a vistoria em países da América do Sul e da África, mas não fazem levantamento de crimes ambientais na Europa e nos EUA, de onde esses organismos foram criados",

Rios pode ser alvo de disputas geopolíticas

Modolo ressaltou ainda que a relevância dos rios é histórica. Segundo ele, as vias fluviais sempre tiveram importância no interior dos países e se tornaram ativos estratégicos nas áreas política e militar.

"Na América do Sul, historicamente, as nossas fronteiras passaram a ser demarcadas por rios, por acidentes geográficos que seriam facilmente delimitados. Nessa conjuntura, vários desses pontos foram questionados ao longo da história, e os rios passaram a ser disputados", concluiu.

Num cenário globalizado, com economias interdependentes, a busca por recursos em territórios estrangeiros para exploração comercial e estratégica se torna cada vez mais constante. Dessa forma, a proteção da soberania sobre os rios também representa a defesa da integridade do território nacional.

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