MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa fica perto da estabilidade com atenção a EUA e Irã

Índice opera em movimento lateral nesta quinta-feira, com queda do minério de ferro, petróleo volátil e PMS de abril em segundo plano

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 12:08
Ibovespa fica perto da estabilidade com atenção a EUA e Irã Depositphotos

O Ibovespa opera próximo da estabilidade desde o início do pregão desta quinta-feira, 11, dia de abertura da Copa do Mundo de 2026. Os investidores acompanham novas ameaças dos Estados Unidos ao Irã, mas o noticiário ainda não foi suficiente para tirar o índice do movimento lateral.

O minério de ferro recuou 0,46% em Dalian, atuando como fator de pressão negativa, enquanto o petróleo segue sem direção única. A agenda de indicadores no exterior está vazia. No Brasil, foi divulgado a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de abril, que, por enquanto, fica em segundo plano, segundo analistas.

A ausência de novidades mantém o principal indicador “lateralizado”, avalia Victor Borges, especialista em investimentos de Manchester.

Em meio às idas e boas-vindas do noticiário sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, Borges afirma que o mercado já não espera mais uma solução rápida. Segundo ele, o impacto provocado pela tensão no Oriente Médio, com mais pressão inflacionária, não deve desaparecer.

Para o especialista, o otimismo sutil observado nos mercados nesta quinta-feira tem uma explicação. “Apesar do CPI de abril mais alto, o núcleo ficou abaixo do esperado - suficiente para não provocar, agora, um choque de juros na economia americana”, afirma, ao se referir ao índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, divulgado ontem.

A percepção geral é de que os bancos centrais precisarão de apertar suas políticas monetárias para conter a pressão da guerra sobre a inflação. De acordo com Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, os contratos de depósito interfinanceiro (DI) vêm sob forte estresse, e o avanço tem chamado atenção pelo comportamento atípico recente. Nesta quinta-feira, as taxas dão uma trégua.

Segundo a economista, o histórico diário mostra taxas em patamares que não eram vistos há muito tempo. "A leitura no mercado é que não se trata de um movimento pontual, daqueles em que a curva abre num dia e evolui no seguinte. Ao contrário, a alta vem se acumulando em sequência desde a semana passada, num processo contínuo - uma 'somatória' de fatores domésticos e externos", avalia.

Depois de recuar cerca de 1% mais cedo, o petróleo passou a operar com volatilidade, em meio ao cenário incerto sobre um entendimento entre Estados Unidos e Irã. O país persa mantém fechado o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da commodity mundial. Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas ameaças ao Irã: “Em algum momento, em um futuro não tão distante, tomaremos a Ilha de Kharg no Irã.”

Trump também disse que os bombardeios americanos contra o Irã serão “ainda maiores” durante esta noite, mas indicou que continua aberto a uma solução para o conflito.

Nesse cenário, as bolsas de Nova York e da Europa sobem moderadamente. Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros em 0,25 ponto porcentual, para 2,25%, conforme o esperado, em meio às pressões inflacionárias resultantes do choque nos preços de energia provocados pela guerra. A alta ocorre após sete encontros de taxas derivadas.

No Brasil, a PMS mostrou alta em abril, depois de cinco meses consecutivos de queda. O volume de serviços prestados aumentou 1,2% em abril ante março, acima da mediana de 0,6% das expectativas. Na comparação com abril de 2025, houve avanço de 1,9%, também superior à mediana das estimativas, de 0,9%.

Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 0,70%, aos 168.619,26 pontos. O avanço desta quinta-feira ocorre após a baixa da véspera, em meio às preocupações contínuas com o conflito entre Estados Unidos e Irã, pontua Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil. “Foi mais um dia de fragilidade no mundo por conta de falas de Trump e de inflação que altera o cenário, com bancos centrais tendo de ser mais duros com relação a taxas de juros”, diz.

Às 11h45 desta quinta-feira, o Ibovespa subia 0,16%, aos 168.923,72 pontos. Mais cedo, chegou a avanço 0,53%, na máxima de 169.508,55 pontos, após abertura estável aos 168.619,26 pontos, praticamente a mesma marca da mínima, de 168.590,39 pontos.