MEIO AMBIENTE

Lula diz que enviará dados sobre queda do desmatamento ao órgão comercial dos EUA

Presidente afirmou que números da Amazônia e do Cerrado serão usados para contestar tarifa sugerida de 25% sobre produtos brasileiros

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 12:07
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 11, que pretende enviar dados sobre o desmatamento na Amazônia ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para contestar a taxa sugerida de 25% sobre produtos brasileiros. Um dos argumentos americanos para o novo tarifaço é o suposto avanço do desmatamento no País.

“Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior, e vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos”, declarou.

Lula visitou nesta quinta-feira, 11, o Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Durante a visita, foram apresentados ao presidente resultados obtidos pelo governo que indicam redução do desmatamento na região Amazônica e no Cerrado.

Na Amazônia, foram registrados 2.189 km² em áreas agregadas desmatadas entre agosto de 2025 e maio de 2026. Segundo os dados apresentados, este é o menor número da série registrada pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter). Em comparação com os anos de 2024 e 2025, a redução foi de 31,4%.

No Cerrado, foram registrados 4.208 km² em áreas agregadas desmatadas entre agosto de 2025 e maio de 2026. O valor é 8,2% menor que o registrado nos anos de 2024 e 2025.

Em discurso, Lula afirmou que irá comparar a realidade do desmatamento no Brasil e nos Estados Unidos. O presidente também disse que a Casa Branca não sabe da meta do governo brasileiro de alcançar o desmatamento zero até 2030.

“Isso não é decisão de nenhuma COP, não é decisão da ONU, isso é uma decisão do nosso governo”, afirmou o presidente sobre a meta de desmatamento zero.

Lula voltou a declarar que não deseja ter guerra com os Estados Unidos e que busca manter-se com o presidente americano, Donald Trump, num confronto de narrativas. "A gente não quer briga. A gente quer respeito, igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países", disse.

"A minha guerra é provar que você (Trump) foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos, e eu respeito o voto do povo americano. Mas que você não foi eleito para ser imperador do mundo, onde você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficam em silêncio", afirmou Lula.