POLÍTICA MONETÁRIA

BCE eleva juros em 25 pontos-base sob pressão da inflação ligada à energia

Christine Lagarde afirmou que o choque provocado pela guerra no Oriente Médio pesa sobre a economia europeia e deve ser monitorado de perto

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 11:29
A presidente do BCE, Christine Lagarde © ANSA/EPA

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira, 11, que a alta de 25 pontos-base nas taxas de juros da zona do euro foi motivada pela pressão inflacionária associada à guerra no Oriente Médio e pelas projeções sobre os efeitos do choque de energia no bloco europeu.

Em coletiva de imprensa após a decisão, Lagarde disse que segundo a inflação deve voltar à meta no semestre de 2027. Esta foi a primeira elevação dos juros pelo BCE desde setembro de 2023.

Segundo o presidente do BCE, os riscos para a perspectiva de crescimento estão inclinados para baixo, enquanto as expectativas de inflação apontam para alta.

“Monitoraremos de perto o tamanho e a persistência do choque da energia”, afirmou Lagarde, acrescentando que o conflito tem peso sobre a atividade da União Europeia.

Lagarde explicou que as pesquisas indicam desaceleração, especialmente no setor de serviços, e que a demanda por trabalho esfriou ainda mais.

De acordo com o dirigente, a demanda doméstica deve ser mais fraca do que a observada em março, embora o consumo continue sendo o principal motor do crescimento. “Os indicadores de evolução continuam a indicar uma redução nos custos trabalhistas em 2026”, acrescentou.

Espalhamento

Lagarde também afirmou que a inflação na zona do euro começa a ser divulgada por diferentes setores da economia. O movimento é visto como sinal de que o choque provocado pela alta dos preços de energia pode estar produzindo efeitos mais amplos sobre os preços.

“Estamos começando a ver uma ampliação da inflação pela economia”, disse o presidente do BCE.

Segundo Lagarde, a autoridade monetária espera que a inflação retorne à meta de 2% apenas no outono de 2027 no Hemisfério Norte, refletindo a persistência das pressões inflacionárias após a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Defesa da decisão

Lagarde defendeu a medida anunciada e a classificou como uma “boa decisão”. Para o presidente do BCE, o principal risco para a economia e para a estabilidade de preços não seria promovido o acordo financeiro.

“O principal risco da decisão de hoje não foi tomar a decisão que tomamos”, afirmou.

Apesar da piora nas perspectivas econômicas da região, Lagarde demonstrou confiança na capacidade de consumo das famílias nos próximos anos. Segundo ela, a renda líquida dos trabalhadores deverá permanecer positiva, o que sustenta a avaliação de que o consumo continuará entre os principais motores do crescimento da zona do euro.