BCE eleva juros em 25 pontos-base sob pressão da inflação ligada à energia
Christine Lagarde afirmou que o choque provocado pela guerra no Oriente Médio pesa sobre a economia europeia e deve ser monitorado de perto
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira, 11, que a alta de 25 pontos-base nas taxas de juros da zona do euro foi motivada pela pressão inflacionária associada à guerra no Oriente Médio e pelas projeções sobre os efeitos do choque de energia no bloco europeu.
Em coletiva de imprensa após a decisão, Lagarde disse que segundo a inflação deve voltar à meta no semestre de 2027. Esta foi a primeira elevação dos juros pelo BCE desde setembro de 2023.
Segundo o presidente do BCE, os riscos para a perspectiva de crescimento estão inclinados para baixo, enquanto as expectativas de inflação apontam para alta.
“Monitoraremos de perto o tamanho e a persistência do choque da energia”, afirmou Lagarde, acrescentando que o conflito tem peso sobre a atividade da União Europeia.
Lagarde explicou que as pesquisas indicam desaceleração, especialmente no setor de serviços, e que a demanda por trabalho esfriou ainda mais.
De acordo com o dirigente, a demanda doméstica deve ser mais fraca do que a observada em março, embora o consumo continue sendo o principal motor do crescimento. “Os indicadores de evolução continuam a indicar uma redução nos custos trabalhistas em 2026”, acrescentou.
Espalhamento
Lagarde também afirmou que a inflação na zona do euro começa a ser divulgada por diferentes setores da economia. O movimento é visto como sinal de que o choque provocado pela alta dos preços de energia pode estar produzindo efeitos mais amplos sobre os preços.
“Estamos começando a ver uma ampliação da inflação pela economia”, disse o presidente do BCE.
Segundo Lagarde, a autoridade monetária espera que a inflação retorne à meta de 2% apenas no outono de 2027 no Hemisfério Norte, refletindo a persistência das pressões inflacionárias após a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Defesa da decisão
Lagarde defendeu a medida anunciada e a classificou como uma “boa decisão”. Para o presidente do BCE, o principal risco para a economia e para a estabilidade de preços não seria promovido o acordo financeiro.
“O principal risco da decisão de hoje não foi tomar a decisão que tomamos”, afirmou.
Apesar da piora nas perspectivas econômicas da região, Lagarde demonstrou confiança na capacidade de consumo das famílias nos próximos anos. Segundo ela, a renda líquida dos trabalhadores deverá permanecer positiva, o que sustenta a avaliação de que o consumo continuará entre os principais motores do crescimento da zona do euro.