ELEIÇÕES NO PERU

Fujimori assume liderança no Peru por 561 votos com 98,2% das urnas apuradas

Candidata soma 50,002% dos votos contra 49,998% de Roberto Sánchez; resultado definitivo deve sair em julho

Por Agência Brasil Publicado em 11/06/2026 às 11:23
Keiko Fujimori Reprodução / Instagram

Uma nova mudança na apuração do 2º turno das eleições presidenciais do Peru colocou a candidata de direita Keiko Fujimori à frente do candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino. A diferença é de apenas 561 votos, num universo de 27 milhões de participantes aptos a votar.

Com 98,2% das urnas apuradas, Fujimori tinha 9.032.632 votos, o equivalente a 50,002%, contra 9.032.092 votos de Sánchez, que somava 49,998% na manhã desta quinta-feira (11).

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A contagem dos votos do exterior, que contribuíram para a virada de Fujimori sobre Sánchez, foi concluída. Entre os candidatos no estrangeiro, a candidatura obteve 63,4% dos votos, enquanto o adversário obteve 36,5%.

Mesmo com a purificação avançada, a estimativa é de que o resultado definitivo seja divulgado apenas em julho. O motivo é a existência de 1,4 mil atas eleitorais em observação, que foram questionadas e devem passar por recontagem no Jurado Nacional Eleitoral (JNE) do Peru.

Além das 1,4 mil urnas em observação, restam apenas 20 atas eleitorais a serem apuradas em um total de 92,7 mil.

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, afirmou à Agência Brasil que a maior parte das atas em observação é da região de Lima, onde Fujimori tem mais votos, o que sugere que ela deve vencer.

“O fato de o resultado estar sendo decidido voto a voto, em um ambiente de profunda desconfiança em relação às instituições, reforça a percepção de um sistema político fragmentado, com baixa capacidade de produzir consensos regulamentados e governos minimamente previsíveis”, comentou.

O vencedor será o nono presidente do Peru em dez anos de crise política, período marcado por duas renúncias e quatro presidentes destituídos pelo Parlamento, tido como o poder de fato no país sul-americano.

Para Menon, uma disputa tensa mostra uma sociedade profundamente dividida em termos territoriais, sociais e ideológicos.

"Lima e o interior, as frações de classes dominantes e os setores populares projetam no processo eleitoral país quase antagônico. Keiko e o fujimorismo defendem a continuidade de um Peru marcado por políticas privatizantes, enquanto Sánchez propõe uma restituição do Estado peruano", acrescentou.

Reviravolta

A apuração do 2º turno da eleição presidencial no Peru foi marcada por alternância entre os dois candidatos, em uma das disputas mais acirradas dos últimos tempos.

No início da contagem, quando apenas 20% das urnas tinham sido processadas, Keiko chegou a ficar 200 mil votos à frente de Sánchez. Isso ocorreu porque as urnas de Lima, a capital, foram as primeiras a serem computadas.

O resultado parcial mudou na segunda-feira (8), quando Sánchez ultrapassou numericamente Keiko com 93,9% das urnas apuradas. O candidato de esquerda chegou a abrir mais de 40 mil votos de vantagem, mas a diferença foi trazendo até uma nova virada de Keiko.

Keiko x Sánchez

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, com duração de cinco anos.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenada por transparência de direitos humanos, incluindo esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no segundo turno, em 2011, 2016 e 2021.

Roberto Sánchez é aliado do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado após tentativa de dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru e foi ministro de Castillo. Após o voto no domingo (7), em Lima, ele foi ao presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, e aparece no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.