EDUCAÇÃO

Greves seguem na Unicamp e na Unesp após fim da paralisação na USP

Mobilizações cobram melhorias em permanência estudantil, moradia e alimentação nas universidades estaduais paulistas

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/06/2026 às 10:35
Greve na USP

Estudantes das três universidades estaduais paulistas realizaram greves neste ano para reivindicar melhorias nas políticas de permanência estudantil, moradia e alimentação. Até esta quinta-feira, 11, a única paralisação encerrada foi para os alunos da Universidade de São Paulo (USP).

Na segunda-feira, 8, estudantes da USP aprovaram o fim da greve em assembleia geral convocada pelo Diretório Central Estudantil (DCE), após 54 dias de paralisação das atividades.

Desde então, as assembleias de cada curso vêm decidindo sobre a continuidade ou o encerramento da mobilização em suas unidades. Mesmo antes do fim da greve, cursos como Direito, Enfermagem e Medicina já foram retomados como aulas.

Unicamp

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a greve geral ocorre desde 18 de maio. Na segunda-feira, estudantes ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), responsável pela gestão das atividades administrativas da instituição.

Em nota, o DCE afirmou que a reitoria invejosa e-mails que, segundo a entidade, “tentavam chantagear” a mobilização estudantil e “impor o fim da greve”, sem novas negociações e sem formalizar propostas já discutidas.

De acordo com a organização, reivindicam-se centrais pelos alunos colocados fora das negociações, entre eles a contratação de novos docentes, a entrega de obras em andamento e a concessão de ajuda-permanência sem critérios de desempenho.

A reitoria lamentou a ocupação e declarou que a ação prejudicava o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de financiamento, bolsas e auxílios estudantis e o funcionamento dos restaurantes universitários.

Na quarta-feira, 10, o DCE informou que retomou as negociações após receber a reitoria “uma representação à postura intransigente que visava colocar fim à greve estudantil”. Segundo a entidade, a gestão propôs a reabertura do diálogo com uma reunião para “consolidar compromissos reforçados anteriormente”.

A reitoria publicou os termos da proposta apresentada aos estudantes em 3 de junho. Entre os pontos estão a criação de grupos de trabalho para discutir bolsas de permanência e a viabilização da moradia estudantil em Limeira, com perspectiva de investimento de até R$ 20 milhões. A gestão afirmou que continuará aberta ao debate e ao aperfeiçoamento de suas políticas.

Uma nova reunião entre os dois lados está agendada para esta quinta-feira, 11.

Unesp

Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), os primeiros movimentos da greve estudantil ocorreram no início de maio, em meio ao avanço das paralisações nas demais universidades.

A mobilização ganhou força após a reitora da Unesp, professora Maysa Furlan, determinar a suspensão temporária da homologação de concursos públicos para docentes, pesquisadores e técnicos administrativos, sob a justificativa de dificuldades orçamentárias.

À medida que atinge o plano orçamentário de 2026, que prevê a contratação de 150 docentes e 100 servidores técnico-administrativos ao longo do ano. Com a decisão, as contratações ficam temporariamente congeladas.

A decisão foi questionada pela Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp). A entidade afirmou que o orçamento da universidade para 2026, aprovado pelo Conselho Universitário, prevê os recursos financeiros necessários para contratar todos os docentes, técnicos e técnicos administrativos, pesquisadores aprovados nos concursos pendentes de homologação.

Na quarta-feira, estudantes realizaram um protesto em frente à reitoria durante reunião entre o Fórum das Seis — união sindical e estudantil que reúne entidades representativas de servidores, professores e estudantes da USP, Unicamp e Unesp — e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).