PROGRAMA NUCLEAR

AIEA cobra do Irã acesso a instalações e dados sobre material nuclear

Resolução aprovada em Viena teve apoio de 21 países; Rússia, China e Níger votaram contra

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 19:39
AP Foto/Hussein Malla

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) exigiu nesta quarta-feira, 10, que o Irã coopere plenamente com o organismo, apresente informações completas sobre material nuclear que estaria em estágio próximo ao uso em armas e permita o acesso de inspetores a instalações nucleares iranianas.

A resolução aprovada pelo conselho da AIEA afirma que a entrega das informações e a autorização de acesso são "essenciais e urgentes" para permitir a verificação de que não houve "desvio de material nuclear".

Segundo diplomatas que falaram sob condição de anonimato para relatar o resultado da votação a portas fechadas, 21 dos 35 países que integram o conselho de governadores da AIEA votaram a favor da resolução, na sede do organismo, em Viena.

Rússia, China e Níger votaram contra. Outros 10 países se abstiveram, e um não votou por estar inadimplente.

A proposta foi apresentada por França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

Um alto diplomata ocidental, que não tinha autorização para tratar publicamente do assunto e pediu anonimato, afirmou que a resolução "busca manter a pressão diplomática sobre o Irã para que volte a cumprir com suas obrigações legais".

A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, depois que os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irã no início da manhã de quarta-feira e Teerã respondeu atirando contra países da região. A escalada ameaçou comprometer os esforços para encerrar a guerra, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que o governo iraniano "pagaria o preço" pelo impasse nas negociações.

O Irã não permitiu acesso aos locais nucleares atingidos por ataques de Israel e dos Estados Unidos durante a guerra de 12 dias em junho de 2025, apesar de Teerã estar legalmente obrigado a cooperar com a agência em razão do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Desde o bombardeio de junho, a AIEA também não conseguiu verificar o estado das reservas de urânio que estariam próximas do nível necessário para aplicação em armas.

De acordo com a agência, o Irã mantém uma reserva de 440,9 quilos, ou 972 libras, de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um passo técnico abaixo dos 90% considerados para aplicação em armas.

Em entrevista recente à The Associated Press, o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, advertiu que essa reserva poderia permitir ao Irã construir até 10 bombas nucleares, caso decidisse transformar seu programa em uma arma. Ele ressaltou, porém, que isso não significa que o país tenha uma arma desse tipo.

O Irã afirma que não busca armas nucleares e que seu programa é totalmente pacífico.

Ao falar com jornalistas do lado de fora da sala de reuniões do conselho da AIEA, o embaixador do Irã junto ao organismo, Reza Najafi, criticou a resolução por descrever a situação no país "como se fosse normal, como se nada tivesse acontecido".

Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.