UNIÃO EUROPEIA

Conselho Fiscal Europeu vê risco em isenção para gastos com energia

Órgão alerta que flexibilização das regras orçamentárias pode estimular aumento de despesas dos governos do bloco

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/06/2026 às 19:20
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O órgão de controle e fiscalização orçamentária da União Europeia (UE) criticou nesta quarta-feira, 10, uma proposta para retirar das regras fiscais do bloco os gastos governamentais voltados à redução do uso de combustíveis fósseis. Segundo a avaliação, a medida pode abrir espaço para uma repetição do aumento excessivo de despesas registrado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

A alta dos preços do petróleo e do gás natural desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, evidenciou as desvantagens da dependência europeia de energia importada. A economia do bloco deve desacelerar em resposta ao aumento dos custos.

Na semana passada, a Comissão Europeia propôs que os gastos dos governos para reforçar a segurança energética do bloco, por meio da ampliação do uso de alternativas aos combustíveis fósseis, recebam o mesmo tratamento das despesas com defesa e fiquem isentos das regras orçamentárias.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Conselho Fiscal Europeu (CFE) afirmou que a exceção pode ser usada de forma inadequada por governos europeus, permitindo uma ampliação expressiva dos gastos para apoiar famílias e empresas e repetindo erros anteriores.

“A credibilidade fiscal, construída através da adesão a caminhos de despesas acordados, é nossa melhor proteção contra o aumento dos custos de empréstimos”, disse Pieter Hasekamp, presidente do CFE. “O apoio a famílias e empresas deve ser temporário, direcionado e compensado — não uma porta dos fundos para um afrouxamento mais amplo.”

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou os governos de que os formuladores de políticas podem ter que elevar a taxa básica de juros mais do que seria necessário caso o apoio às famílias diante da alta dos custos de energia seja muito generoso.

A Comissão Europeia estima que o déficit combinado dos 21 países da zona do euro suba de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano para 3,5% no próximo ano. A dívida pendente deve avançar de 90,2% para 91,2% do PIB. Em comparação, o Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO, em inglês) projeta déficit do governo norte-americano de 5,8% do PIB neste ano fiscal e de 5,7% em 2027.

Os governos europeus voltaram a oferecer algum apoio a famílias e empresas diante da disparada dos preços da energia desde o início do conflito. No entanto, essas medidas foram mais modestas do que as adotadas durante o choque energético no começo da guerra da Ucrânia. De acordo com estimativa do CFE, elas representam menos de 0,1% do PIB da zona do euro.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.